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Conselho de Segurança da ONU aprova o envio de mais 3.500 soldados ao Haiti

Conselho de Segurança da ONU aprova o envio de mais 3.500 soldados ao Haiti

Atualizado: Terça-feira, 19 Janeiro de 2010 as 12

O Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta terça-feira, dia 19, o envio de mais 3.500 soldados para o Haiti para reforçar a segurança e melhorar a distribuição de ajuda humanitária às vítimas do terremoto que devastou o país caribenho na semana passada.

Ontem, dia 18, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ao Conselho de Segurança que amplie a missão de estabilização no Haiti com mais 3.500 soldados, os capacetes azuis. Ban falava a repórteres depois de se dirigir ao Conselho em uma sessão a portas fechadas nesta segunda-feira. A Minustah, força de manutenção da paz do organismo no Haiti, tem atualmente cerca de 9.000 soldados e policiais no país.

om o envio de mais soldados, a força de paz das Nações Unidas, a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti), passará a ter 12.651 membros, número superior aos cerca de 9.000 previstos anteriormente.

A resolução foi aprovada por unanimidade pelo Conselho de Segurança e destaca "as dramáticas circunstâncias e a urgente necessidade de uma resposta" ao drama vivido pelo Haiti.

"Devemos enviar as tropas o quanto antes possível para que ajudem a manter a ordem e permitam a distribuição da ajuda humanitária", disse Ban Ki-moon após a decisão do Conselho de Segurança.

ONU arrecada 19% dos US$ 575 milhões que pediu

ONU conseguiu 19% dos US$ 575 milhões que pediu com urgência depois do terremoto que devastou o Haiti em 12 de janeiro, anunciou nesta terça-feira as Nações Unidas, que se disse satisfeita com a generosidade internacional.

Segundo a Agência de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), a ONU também recebeu US$ 50 milhões de dólares em promessas de ajuda.

"Esperamos que o esforço continue", afirmou a porta-voz da OCHA em Genebra, Elisabeth Byrs, durante uma coletiva de impensa.

Distribuição de alimentos

Uma semana depois do devastador terremoto que arrasou grande parte do Haiti, a ajuda humanitária aos desabrigados já flui com mais intensidade depois do caos inicial, mas a magnitude da tragédia ainda torna difícil o acesso à água, alimentos e assistência médica para os milhares de feridos.

"A logística está aumentando de potência, mas continua sendo prioritário salvar os feridos que precisam de assistência médica urgente", disse hoje Elizabeth Byrs, porta-voz do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) da ONU.

O número de equipes de resgate procedentes de vários países aumentou para 52, com um total de 1.820 trabalhadores e 175 cães treinados, e, desde que houve o terremoto, 90 pessoas foram retiradas com vida sob os escombros em Porto Príncipe.

Byrs disse hoje que continua havendo esperança de encontrar mais sobreviventes. "Sim, absolutamente", respondeu aos jornalistas, em entrevista coletiva. "O clima está sendo benigno e há muitas bolsas de ar sob os escombros", acrescentou.

A porta-voz do Ocha disse que, a partir de agora, muitas equipes de resgate começaram a sair para fora de Porto Príncipe, a outras cidades que sofreram fortes destruições, como Leogane, com entre 80% e 90% dos edifícios destruídos, Jacmel, com 60% de destruição, ou outras como Gressier e Petit-Goave.

"As equipes só conseguem chegar a essas localidades de helicóptero, pois as estradas estão muito danificadas", disse.

Apesar dos casos de pilhagem e violência que se espalharam pela capital haitiana em consequência do desespero dos sobreviventes, Byrs disse que "a situação está sob controle".

"Há pilhagens, mas, em geral, a situação está sob controle. Os comboios de distribuição de ajuda andam com escolta", disse.

O Programa Mundial de Alimentos (PAM), que coordena a distribuição de alimentos aos desabrigados, afirmou hoje que já foi entregue comida a 270 mil pessoas."Estamos muito bem coordenados com as autoridades locais, que trabalham conosco e, graças a isso, conseguimos identificar 280 pontos de Porto Príncipe onde há pessoas concentradas que precisavam de alimentos", disse a porta-voz Emilia Casella.

Para atenuar um dos maiores problemas à ajuda humanitária, que é a falta de combustível, Casella disse que, no domingo à noite, chegaram os primeiros 10 mil galões de gasolina por terra a partir da vizinha República Dominicana.

"Estamos distribuindo (a gasolina) com caminhões à comunidade humanitária, para que possam continuar a assistência às vítimas", acrescentou.

A Organização Internacional de Migrações (OIM), que coordena a assistência em matéria de abrigo, identificou 106 pontos de concentração espontâneos onde as pessoas se instalaram desde o terremoto.

Além de distribuir tendas, cobertores e material para cozinhar, a OIM estuda a viabilidade de construir um acampamento para 100 mil desabrigados em Croix-des-Bouquets, para o que conta com o apoio do Governo haitiano e do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Corrida contra o tempo

À medida que o tempo passa, tornam-se mais raros os casos de pessoas que são resgatadas com vida, e os feridos continuam chegam em massa aos poucos centros de atenção médida operacionais, onde se sucedem as operações de amputação.

"Há inúmeros casos de gangrena. As amputações são em série. A partir do sexto dia começam as cirurgias radicais, pois não se pode fazer mais nada", explica Hans Van Dillen, chefe da missão da organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Atualmente a urgência é evitar uma catástrofe sanitária. Devido à falta de água potável e à ausência de sanitários, os riscos de epidemia aumentam exponencialmente.

O número de mortos continua aumentando no país, que decretou luto nacional de 30 dias. Pelo menos 70.000 corpos foram enterrados em valas comuns, segundo o secretário de Estado para a Alfabetização, Carol Joseph. As forças norte-americanas acreditam que o número de mortos pode chegar a 200.000, aproximando-se do balanço do tsunami de 2004 no Oceano Índico (220.000 mortos).

O terremoto deixou também pelo menos 250.000 feridos e 1,5 milhão de pessoas sem teto. "É como se tivesse explodido uma bomba atômica", descreveu o embaixador dos Estados Unidos no Haiti, Kenneth Merten.

Entre os mortos figuram o chefe da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), Hedi Annabi, de nacionalidade tunisiana, e o diplomata brasileiro Luiz Carlos da Costa.

Pelo menos 46 efetivos da ONU no Haiti morreram no terremoto e 500 estão desaparecidos, informou Martin Nesirky, porta-voz do secretário-geral da ONU.

Por fim, a primeira reunião sobre a reconstrução do Haiti, realizada na segunda-feira em Santo Domingo, afirmou que serão necessários US$ 10 bilhões nos próximos cinco anos para reconstruir o país.

A reunião foi presidida pelo presidente haitiano René Preval e pelo dominicano Leonel Fernández, que insistiu na necessidade de uma "convergência internacional" para que o impacto da ajuda humanitária "surta o efeito desejado".

"Temos visto que o Haiti talvez precise de uns 2 bilhões de dólares por ano", afirmou Fernández após o fim da reunião.

"Estaríamos falando de um programa de cinco anos de US$ 10 bilhões", esclareceu.

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