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Conselho militar pede investigação sobre confrontos no Egito

Conselho militar pede investigação sobre confrontos no Egito

Atualizado: Segunda-feira, 10 Outubro de 2011 as 2:15

O conselho militar que governa o Egito pediu uma investigação imediata sobre os confrontos entre cristãos coptas e forças de segurança no domingo.

O gabinete do governo fez uma reunião de emergência nesta segunda-feira, antes dos primeiros funerais dos 24 mortos durante o conflito.

A violência começou durante um protesto na capital contra um ataque a uma igreja na semana passada na província de Assuã, pelo qual os coptas responsabilizaram muçulmanos radicais.

Após a reunião de emergência do gabinete, o primeiro-ministro do Egito, Essam Sharaf, fez um apelo por calma e disse que as desavenças entre muçulmanos e cristãos no Egito são 'uma ameaça à segurança do país'.

Ele afirmou ainda que a violência verificada no domingo - a mais grave desde que o presidente Hosni Mubarak foi derrubado, em fevereiro - também estava 'ameaçando a relação entre as pessoas e o Exército'.

As tensões sectárias vêm aumentando nos últimos meses no Egito.

Os cristãos coptas - que representam cerca de 10% da população - acusam o conselho militar que governa o país de ser conivente com a onda de ataques anti-cristãos.

A correspondente da BBC no Cairo, Yolande Knell, diz que ministros e líderes militares estão sendo pressionados a fornecer garantias de engajamento na defesa da unidade nacional.

Investigação

O Exército pediu uma investigação rápida sobre o confronto, formando um comitê 'para determinar o que aconteceu e tomar medidas legais contra todos os que estiverem comprovadamente envolvidos'.

Em um comunicado divulgado na TV estatal do Egito, o Exército também disse que tomaria todas as medidas necessárias para manter a segurança e reafirmou seu compromisso de se preparar para passar o poder para os civis.

Aumentou a segurança em instalações importantes no Cairo, com tropas adicionais sendo deslocadas para o parlamento e para o edifício do gabinete em antecipação contra novos tumultos.

A polícia também está diante do hospital copta, para onde foi levada a maioria dos mortos e feridos.

Milhares de pessoas - não somente cristãos - participaram do início do protesto, com uma passeata do distrito de Shubra, no norte do Cairo, até a praça Maspero, onde está a sede da TV estatal.

Eles pediam que o conselho militar demitisse o governador da província de Assuã e também acusavam a TV estatal de alimentar o sentimento anti-cristão.

A violência começou em frente à sede da TV, mas rapidamente se espalhou para a praça Tahrir, epicentro das manifestações que levaram à queda de Mubarak, no início do ano.

Segundo correspondentes, muçulmanos se juntaram aos protestos para defender os cristãos das forças de segurança e protestar contra a permanência dos militares no poder.

Os manifestantes afirmaram terem sido atacados por indivíduos em trajes civis antes dos confrontos com as forças de segurança.

Testemunhas disseram à BBC terem visto veículos militares passarem por cima de pelo menos cinco pessoas. O governo não comentou os relatos.

Segundo o Ministério da Saúde, ao menos 24 pessoas morreram e 212 ficaram feridas.

Vácuo

Segundo a correspondente da BBC, Yolande Knell, as tensões sectárias vêm aumentando em meio ao vácuo político e de segurança que se desenvolveu no país nos últimos meses.

Os cristãos temem um crescente aumento das demonstrações de força por parte dos muçulmanos ultra-conservadores.

Em maio, 12 pessoas morreram em ataques contra igrejas coptas. Em março, outras 13 pessoas haviam morrido em confrontos entre muçulmanos e coptas na praça Tahrir.

A violência deste domingo ocorre em meio às preparações para as eleições parlamentares programadas para o dia 28 de novembro, as primeiras desde a renúncia do presidente Hosni Mubarak.

Os cristãos coptas, a minoria mais numerosa do Egito, reclamam de discriminação, incluindo uma lei que requer permissão presidencial para a construção de igrejas. Além disso, o Egito apenas reconhece conversões do cristianismo para o islamismo, mas não o contrário.        

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