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Copenhague: 14 dias para salvar o planeta

Copenhague: 14 dias para salvar o planeta

Atualizado: Segunda-feira, 7 Dezembro de 2009 as 12

Todos os olhos voltados para a Dinamarca: visitantes reunidos numa praça da região central da cidade (Foto: AFP) As atenções do mundo inteiro estão voltadas para Copenhague, na Dinamarca, a partir desta segunda-feira. A cidade foi transformada na capital mundial do clima, onde será realizada, durante duas semanas, a maior conferência do planeta, por sua magnitude e seus desafios. Os delegados de 192 países, entre eles chefes de estado que participarão do evento nos dias 17 e 18 de dezembro, devem chegar a um acordo que permita limitar a disparada do termostato mundial - e, assim, evitar um grave desequilíbrio climático que afetaria principalmente as populações mais desfavorecidas.

Durante catorze dias, serão tomadas decisões que poderão afetar a vida de bilhões de pessoas - e de gerações inteiras. Para pressionar os delegados, numerosas ONGs já estão batalhando na capital dinamarquesa: enquanto seus especialistas se dirigem ao Bella Center, sede principal da conferência, seus militantes estão preparados para ações espetaculares capazes de atrair a atenção do mundo para Copenhague. O barco do Greenpeace Arctic Sunrise estava ancorado no domingo diante do parlamento dinamarquês, com uma faixa com os dizeres: ''Nosso clima, nosso futuro, sua decisão''.

Paralelamente à cúpula, será celebado um fórum alternativo de 10.000 participantes perto da estação central de trem, onde as atuais vítimas da mudança climática, de Bangladesh, Nigéria ou Groenlândia, concederão depoimentos sobre sus vidas, já afetadas por um aumento de 0,8°C registrado em um século. O objetivo da cúpula - limitar o aumento de temperaturas a +2°C - já parece muito pouco realista, levando em conta os compromissos dos principais atores da negociação. Segundo um estudo publicado sábado pela ONG científica alemã Climate Analytics, no estado atual das negociações, o aumento poderia ser de +3,5°C até o final do presente século.

O preço a pagar seria uma queda acentuada das produções de cereais, extinção em massa de espécies, elevação do nível dos oceanos, e a migração forçada de centenas de milhões de pessoas, expulsas de seus lares por inundações, secas ou a escassez. Para evitá-lo, o acordo de Copenhague deve optar por uma redução drástica dos gases contaminantes provocados pela combustão de energias fósseis (petróleo, gás, carbono), e dividi-los por dois em relação a 1990 até 2050, segundo cientistas do IPCC, um painel de especialistas criado pela ONU.

Esses especialistas recomendam que até 2020 os países industrializados reduzam suas emissões de 25% a 40%. No entanto, as propostas oscilam, apenas, entre (-12%) e (-16%). Desde a Eco-92, a convenção das Nações Unidas sobre a mudança climática de 1992 no Rio de Janeiro, as emissões mundiais aumentaram 30%. O Protocolo de Kyoto, primeiro tratado internacional com o objetivo es reduzi-las, adotado em 1997 e que entrou em vigor em 2005, gerou compromisoss que expiram no final de 2012.

Agora, um novo instrumento internacional deveria entrar imediatamente em vigor para prorrogar e, sobretudo, reforçar esse compromisso. As últimas semanas trouxeram alguns sinais alentadores, especialmente compromissos quantificados dos principais poluidores, Estados Unidos - de volta às negociações sobre o clima cepois de oito anos de inação sob a presidência de Bush - e China, assim como Índia. A presença do presidente americano Barack Obama, finalmente confirmada para o encerramento da cúpula, também aumenta as esperanças.

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