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Costa Rica dá prazo de 24 horas à Nicarágua.

Costa Rica dá prazo de 24 horas à Nicarágua.

Atualizado: Sexta-feira, 12 Novembro de 2010 as 10:20

A Costa Rica decidiu na quinta-feira, 11, dar uma "oportunidade adicional à paz de 24 horas" para que a Nicarágua retire suas tropas, advertindo que se trata de seu ultimato derradeiro e que, se Manágua não ceder, convocará os chanceleres para pedir, inclusive, a suspensão do país vizinho na Organização dos Estados Americanos (OEA).  

O grupo da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), liderada pela embaixadora do Equador na OEA, María Isabel Salvador, pediu nesta quinta-feira ao presidente do Conselho Permanente, Joaquín Maza, que adie em 24 horas a sessão que tenta desde o dia 3 buscar uma solução para o conflito limítrofe entre Costa Rica e Nicarágua. A disputa teve início no dia 21 de outubro, com a dragagem do rio San Juan e a presença de militares nicaraguenses em uma região da Ilha Calero.

A Aladi solicitou o adiamento porque acredita ser "muito importante realizar gestões adicionais que permitam que as duas partes cheguem a um acordo e a uma solução pacífica".

Não houve reuniões bilaterais entre San José e Manágua na quinta-feira porque "não há credibilidade e confiança neste momento para isso", pelo que a Costa Rica pediu o acompanhamento da OEA para as conversas, assinalou em entrevista coletiva o chanceler costarriquenho, René Castro.

  "Aceitamos (dar uma oportunidade para a paz) porque vai de acordo com nossos princípios e nossa posição. Fomos claros e taxativos que essas chances à paz não podem significar nem entender-se como um adiamento sem prazo para a ação da OEA", disse Castro.

Neste sentido, o chanceler costarriquenho deixou claro que se trata do ultimato derradeiro da Costa Rica à Nicarágua para que o país vizinho retire suas tropas da Ilha Calero, depois do prazo de 48 horas dado na terça-feira.

Desta forma, Castro adiantou que, se na sexta-feira "for mantido o descumprimento da Nicarágua", pedirá à OEA uma reunião de consulta de chanceleres, que podem estabelecer sanções de diferentes gravidades e complexidades, inclusive a suspensão de um país.

O secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, recomendou que San José e Manágua realizem a VIII Reunião da Comissão Binacional, prevista para 27 de novembro, sob a observação do órgão.

Insulza também aconselhou os dois países a evitarem a presença de Forças Armadas ou de segurança em regiões onde sua presença possa gerar tensão, informando que perto do acampamento nicaraguense em Ilha Calero, mas dentro do seu território, a Nicarágua mantém uma base militar com cerca de 600 soldados, helicópteros e botes.

O número de soldados estrangeiros em território costarriquenho oscilou entre 50 e 100 nos últimos dias, indicou. "A esta hora e nesta data, a Nicarágua não cumpriu (o estabelecido) e encontra-se em franca oposição ao relatório da OEA", assinalou o embaixador da Costa Rica.

Manágua, por sua vez, nega que tenha militares em território costarriquenho e informou que o chefe do Exército, o general Julio Avilés, e o presidente da Assembleia Nacional, o sandinista René Núñez, visitaram a zona em disputa nesta quinta-feira.

De acordo com Núñez, o local onde estão os soldados do país "sempre foi da Nicarágua", e afirmou que nunca houve presença militar nicaraguense na Ilha Calero, que reconheceu pertencer à Costa Rica.

Segundo Castro, vários presidentes estão atuando para tentar convencer a Nicarágua a ceder, mas uma vez esgotadas todas as medidas, San José não descartaria pedir à OEA a suspensão do país vizinho, afirmou.

Castro indicou que seu país defenderá "sua soberania com os mecanismos que tem às mãos".

"Não hesitaremos em chegar a esse nível se for necessário", afirmou, embora tenha admitido que seria uma solução "muito triste". A suspensão, disse Castro, "não é algo que país algum deseje", por conta do isolamento e das sanções que representa.

Na história da OEA, o organismo só aplicou a suspensão em duas ocasiões: a Cuba em 1962 - a ilha foi readmitida em 2009 - e a Honduras, no ano passado, pelo golpe de Estado.    

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