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Cuba liberta ao menos 7 presos políticos, que seguem para exílio na Espanha

Cuba liberta ao menos 7 presos políticos, que seguem para exílio na Espanha

Atualizado: Terça-feira, 13 Julho de 2010 as 8:08

Autoridades cubanas soltaram ao menos sete presos políticos nesta segunda-feira. Eles e suas famílias foram colocados em um voo para a Espanha, onde viverão no exílio. Eles fazem parte da primeira leva de 52 presos a serem libertados após um acordo mediado pela Igreja Católica.

Omar Ruiz, que cumpria 12 anos de prisão por traição, disse que ele e outros seis dissidentes foram levados de van até o aeroporto internacional Jose Marti, em Havana, onde reencontraram seus familiares em uma sala de espera reservada. Em seguida, todos foram levados a um voo da Air Europa com destino a Madri.

''Estamos, neste momento, caminhando para o avião'', disse Ruiz à Associated Press em seu celular. ''Eles nos trouxeram pelos fundos do aeroporto.''

As informações desencontradas indicam que o número final dos presos que devem chegar à Espanha amanhã ainda pode ser alterado. A agência France Presse cita o chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, falando em 11 presos políticos e entre 62 e 65 familiares esperados nesta terça-feira na Espanha.

Autoridades espanholas informaram que, assim que os cubanos chegarem ao país, serão livres para ir aonde quiserem.

A Igreja afirma que outros 13 ativistas opositores e dissidentes presos serão libertados em breve. Não ficou claro se os demais presos que forem soltos poderão ficar em Cuba ou serão forçados a ir para outro país. Tanto EUA quanto Chile ofereceram asilo a eles.

Também nesta segunda-feira, o líder revolucionário e ex-ditador cubano Fidel Castro, 83, apareceu em uma entrevista a um programa diário da TV local, em seu primeiro vídeo divulgado em quase um ano. Fidel falou sobre assuntos internacionais, mostrando estar acompanhando os assuntos mesmo fora do governo. Ele alertou para uma possível guerra entre EUA e Irã por conta do programa nuclear do país persa. Ele falou sobre um iminente ataque dos EUA e Israel ao Irã, e advertiu que o líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ''responderá''.

Lista Crescente

O Arcebispado de Havana só notificou hoje que 20 dissidentes presos aceitaram ir para Espanha, ao anunciar mais três novas libertações nesta segunda-feira, que devem acontecer ''em breve''. Desde quinta, 17 nomes tinham sido confirmados.

Segundo parentes e dissidentes, o próprio cardeal Jaime Ortega, máxima autoridade católica da ilha, entrou em contato por telefone com presos para consultar sobre a ida ou não à Espanha.

A dúvida agora é sobre o que acontecerá com os que decidirem continuar em Cuba. Segundo afirmaram no domingo passado as Damas de Branco, parentes dos 75 presos na onda de repressão de 2003 (Primavera Negra), seis dos até agora consultados disseram querer continuar na ilha.

Durante o fim de semana, os presos que devem deixar o país em breve foram agrupados numa prisão de Havana, onde passaram por exames médicos e tiveram a documentação preparada para viajar.

Eles receberam roupas das autoridades cubanas e outros itens de uso pessoal que possam ser úteis.

Algumas famílias já receberam nesta segunda-feira um aviso de agentes da segurança do Estado cubano para que estejam prontas para partir.

''Essa incerteza é insuportável. O que custa nos dizer quando'', disse à Agência Efe Irene Viera, mulher de Julio César Gálvez. Ela falou com o marido pela última vez no domingo à noite.

Durante o fim de semana passado, as famílias de presos de libertação iminente que vivem em províncias fora de Havana foram transferidas a dependências oficiais na capital cubana.

Diálogos

Esta é a maior libertação de presos políticos desde que o presidente Raúl Castro assumiu o poder, em fevereiro de 2008, das mãos de seu irmão, ex-ditador Fidel Castro. Fidel liberou 101 presos políticos pouco depois da visita histórica do papa João Paulo 2º à ilha, em 1998.

Na quarta-feira passada (7), a Igreja Católica cubana anunciou que o governo concordou em libertar 52 presos políticos, em uma grande concessão à pressão internacional para melhorar as condições de direitos humanos na ilha.

Os 52 homens estavam entre 75 dissidentes políticos presos em 2003, em uma ação enérgica do governo cubano que prejudicou suas relações diplomáticas. Outros já foram soltos, a maioria por motivos de saúde.

Eles cumprem penas que variam de 13 a 24 anos de prisão por violar as leis cubanas destinadas a conter a oposição, e o que o governo chama de atividades subversivas.

Essa deve ser a maior libertação realizada pelo governo cubano desde 1998, quando 101 presos políticos estavam entre 300 prisioneiros soltos, após uma visita do papa João Paulo 2º.

Com isso, o número de dissidentes atrás das grandes cairia para cerca de cem.

O anúncio foi feito após recentes diálogos entre o presidente cubano, Raúl Castro, e o líder da Igreja Católica em Cuba, cardeal Jaime Ortega. A Igreja assumiu um papel mais determinante nos assuntos internos da ilha desde maio.

Também veio logo após um encontro entre o chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, com autoridades cubanas na terça-feira (6). Moratinos disse que foi à ilha para oferecer apoio aos esforços da Igreja.

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