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Dezenas de milhares protestam contra soberania indiana

Dezenas de milhares protestam contra soberania indiana

Atualizado: Quarta-feira, 4 Agosto de 2010 as 4:14

Dezenas de milhares de muçulmanos caxemirianos marcharam nesta quarta-feira para a cidade de Khrew, onde sete pessoas morreram no fim de semana em confrontos que desafiam o toque de recolher do governo indiano. Os manifestantes protestam contra o domínio indiano da região da Caxemira.

Longas filas de pessoas carregando bandeiras pretas e verdes de protesto chegaram a Khrew, cidade ao sul de Srinagar, principal cidade da Caxemira indiana.

O ministro do Interior da Índia, Palaniappan Chidambaram, apelou para o fim da violência e disse que o governo está pronto para um diálogo com o povo da Caxemira.

O governo federal enviou reforços para ajudar o Estado sitiado a enfrentar a multidão cada vez mais violenta e que enfrenta confronto com soldados paramilitares. Nas últimas sete semanas, o número de mortos chega a 45.

Nesta quarta-feira, dezenas de veículos civis equipados com alto-falantes transportavam pessoas de cidades e aldeias vizinhas para homenagear os mortos nos confrontos com a polícia e em uma explosão em uma delegacia de polícia em Khrew, no domingo passado (1º). Eles gritavam slogans como "Vá Índia, volte atrás" e "Nós vamos tomar balas em nossas cabeças, mas não vamos desistir."

Milhares de agentes do governo recuaram para evitar confrontos, enquanto os manifestantes pediram pelos alto-falantes para que saiam das ruas e não tentem parar a marcha, disse o morador Abdul Ahad.

Os recentes distúrbios na região do Himalaia são reminescentes da década de 1980, quando os protestos contra o governo de Nova Déli provocaram um conflito armado que matou mais de 68 mil desde então, a maioria civis.

A polícia dirigiu pelas ruas de Srinagar, a principal cidade da Caxemira indiana, e de outras cidades, alertando os moradores para um segundo de toque de recolher.

Mas os moradores irritados saíram e gritaram slogans pró-independência em um bairro de Srinagar, onde um jovem morreu por tiros disparados pela polícia na terça-feira.

Eles perseguiram a polícia e os soldados paramilitares, disse um oficial da polícia, falando sob condição de anonimato porque não está autorizado a falar com a imprensa. Os manifestantes também queimaram um jipe do governo estacionado no bairro.

O governo federal enviou cerca de 2.000 soldados paramilitares adicionais para a Caxemira, disse o porta-voz paramilitar Prabhakar Tripathi. Outros 300 soldados da Força de Ação Rápida, especialmente treinados para manifestações e protestos violentos, também foram enviados.

O reforço, contudo, não foi bem visto pelos caxemirianos. Eles acusam Nova Déli de evitar um diálogo político.

"A Índia tem declarado guerra contra o povo da Caxemira", disse Mirwaiz Umar Farooq, um importante líder separatista, que está em prisão domiciliária há quase um mês. "Ao invés de chegar às pessoas e tentar resolver as suas genuínas demandas políticas, a resposta da Índia é militarizar mais esse lugar através do envio de mais tropas", disse Farooq.

Chidambaram disse que o governo deu início a um "diálogo silencioso" com os principais grupos políticos e indivíduos em 2009. Mas foi interrompido pela morte de um dos interlocutores, Fazal Haq Qureshi, em um atentado.

A Caxemira, de maioria muçulmana, é dividida entre a predominantemente hindu Índia e o Paquistão de maioria muçulmana, mas reivindicada por ambos. Políticos e militantes separatistas na Caxemira indiana rejeitam a soberania sobre a região e querem conquistar uma pátria independente ou fundir-se com o Paquistão.

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