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Egito já conta 38 mortos; turistas lotam aeroportos

Egito já conta 38 mortos; turistas lotam aeroportos

Atualizado: Sábado, 29 Janeiro de 2011 as 11:11

Fontes médicas revisaram para ao menos 38 o número de mortos nos protestos no Egito, informou a Associated Press, enquanto cerca de 2.000 turistas lotam os terminais do Aeroporto Internacional do Cairo tentando deixar o país.

Em meio à situação caótica, milhares de turistas se dirigem ao principal aeroporto do país, no Cairo, a maioria sem reservas, para deixar o país. A companhia aérea egípcia El Al informou que um voo especial deve ser realizado neste sábado para levar cerca de 200 israelenses de volta ao seu país.

Em Suez as pessoas utilizam os tanques do Exército como palanques provisórios, relata André Lobato, repórter da Folha na cidade.

"Eles [os manifestantes] distribuem água para os militares, apertam as mãos deles e colam mensagens de protestos nos tanques", conta o jornalista.

Mesmo após a renúncia oficial dos ministros que integram o governo do Egito, os protestos continuam de forma intensa nas ruas do país e o número de mortos subiu para ao menos 35, informaram fontes das forças de segurança à Associated Press. Em Alexandria, o Exército passou a usar munição real ao invés de balas de borracha, informa a Reuters.

Pouco depois, o governo ampliou mais uma vez o toque de recolher. Agora os egípcios não podem sair de casa entre as 16h (12h em Brasília) e as 8h (4h em Brasília) nas cidades do Cairo, Suez e Alexandria. No resto do país a proibição permanece sendo das 18h (14h em Brasília) até as 7h (3h em Brasília). O objetivo é conter as dezenas de milhares de pessoas que foram às ruas de várias localidades pedindo a queda de Mubarak.

O número de mortos pode aumentar e dada a situação caótica no país, as informações ainda são desencontradas. Uma fonte médica não identificada disse à Reuters que já há ao menos 74 vítimas.

GABINETE

Seguindo as ordens do ditador Hosni Mubarak durante pronunciamento à nação na noite de ontem (28), os ministros do governo egípcio, incluindo o premiê Ahmed Nazif, apresentaram sua renúncia neste sábado, abrindo caminho para a formação de um novo governo que deve ser anunciado ainda hoje.

De acordo com TV estatal egípcia Nazif anunciou a saída dos ministros após uma reunião realizada no Cairo na manhã deste sábado.

Em reação, Salil Chetty, chefe da ONG de direitos humanos Anistia Internacional (AI), disse que a decisão de Mubarak de dissolver o gabinete não deve amenizar os protestos que abalam o país desde terça-feira (25) e classificou a medida como "uma piada".

"As pessoas estão dizendo com muita clareza que querem uma mudança fundamental, uma mudança constitucional", disse, acrescentando que a AI tem funcionários atuando em todo o Egito.

Shetty criticou ainda a repressão aos manifestantes e disse que o uso da violência pelas forças de segurança é a razão pela qual os protestos tornaram-se violentos.

O opositor e Prêmio Nobel da Paz ElBaradei, disse à emissora Al Jazeera que o ditador Hosni Mubarak deve renunciar e que abrir caminho para uma verdadeira transição de poder é a única maneira de conter os protestos.

O pronunciamento do ditador na sexta-feira, em que anuncia a formação de um novo gabinete, foi uma "decepção" para os egípcios, disse o ativista.

PROTESTOS

Os dezenas de milhares de manifestantes que desde a terça-feira protestam pela saída do ditador Hosni Mubarak, há 30 anos no comando do Egito, não diminuíram a intensidade dos protestos no Cairo na manhã deste sábado. Em meio à expectativa do anúncio de um novo governo, ao menos 26 já morreram em diversas cidades.

Também na manhã de hoje as linhas de telefone ceular, que tinham sido bloqueadas desde a manhã de sexta-feira, começaram a ser restabelecidas pouco depois das 10h locais (6h de Brasília), informa a agência Efe.

Nas ruas do Cairo, quando foi restabelecida a comunicação, os egípcios usaram os celulares para realizar as primeiras chamadas e para enviar e receber mensagens de texto.

A rede, no entanto, ainda sofre problemas, provavelmente devido ao congestionamento das linhas. Já o acesso à internet permanece bloqueado.

MUBARAK

Ainda na noite de ontem Mubarak falou ao país na TV estatal, dissolvendo todo o gabinete e prometendo anunciar um novo governo neste sábado.

"Pedi ao governo para renunciar e formarei um novo governo", afirmou o ditador no pronunciamento transmitido pela TV.

No discurso, ele prometeu ainda mais liberdade aos cidadãos, mas disse que as forças de segurança continuarão a agir para "garantir a segurança e evitar o caos no país".

"Como presidente desse país, garanto que estou protegendo as pessoas e garantindo liberdade, desde que respeitem a lei. Há uma linha tênue entre liberdade e caos, e estou pronto para garantir a liberdade das pessoas, mas também a segurança do Egito", disse Mubarak.

Mubarak afirmou ainda que as demonstrações mostram que as pessoas querem "mais empregos, preços mais baixos, menos pobreza". "Sei que todas essas questões sao necessárias, e trabalho por elas todos os dias. Mas não posso permitir saques e incêndios em locais publicos", afirmou.

"O que aconteceu nos últimos dias assustou as pessoas e trouxe insegurança a respeito do futuro. Assumo a responsabilidade pela segurança desse país e dos cidadãos, protegerei o Egito", disse ainda o ditador.

OBAMA

O presidente americano, Barack Obama, disse em pronunciamento na Casa Branca nesta sexta-feira que o ditador egípcio, Hosni Mubarak, deve cumprir as promessas feitas hoje à nação e dar "passos concretos" pela reforma política do país, pela promoção da democracia.

"O que é necessário agora são passos concretos para o avanço dos direitos do povo egípcio. Falei com ele [Mubarak] depois do discurso, e disse que agora ele tem a responsabilidade de dar sentido a essas palavras", disse Obama no discurso na Casa Branca.

Obama também afirmou que "governos no mundo todo têm a responsabilidade de dar resposta aos seus cidadãos". "Isso acontece em todo lugar do mundo, na América, na África, na Ásia, no mundo árabe", acrescentou.

"Quando estive no Cairo, eu disse que todo governo deve ser mantido pelo consenso, não pela coerção. Dias difíceis virão, mas os EUA continuarão a ser parceiros do Egito", disse o presidente.

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