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Eleito na Guatemala, general Pérez promete mão de ferro contra o crime

Eleito na Guatemala, general Pérez promete mão de ferro contra o crime

Atualizado: Segunda-feira, 7 Novembro de 2011 as 3:38

O direitista Otto Pérez, um general da reserva de 61 anos, capacitado em contrarrevolução e acusado de violações aos direitos humanos, foi eleito neste domingo (6) presidente da Guatemala depois de campanha durante a qual prometeu guerra aberta e mão de ferro contra o crime e a pobreza.

Amparado em seu treinamento militar, o combate à violência foi seu discurso mais constante, para uma população que sofre com o número de mortos registrados diariamente no país, que tem taxa anual de 48 homicídios para cada 100 mil habitantes, considerada seis vezes mais alta que a média mundial.

Dados do Tribunal Supremo Eleitoral, depois de contados 96% das seções eleitorais, dão a Pérez 54% dos votos, pelo que se impõe ao empresário Manuel Baldizón, também direitista, defensor da pena de morte.

Otto Pérez comemora após anúncio de sua vitória (Foto: Reuters) Econômico com as palavras e usando frases cortantes, um hábito adquirido durante 34 anos de vida militar, coincidentes com a guerra civil que deixou 200 mil mortos, Pérez divulgou mensagem simples numa campanha publicitária multimilionária, num país onde 51% dos 14 milhões de pessoas vivem na pobreza.

Nem sequer sua experiência de quatro anos como deputado, entre 2003 e 2007, foram capazes de tornar mais polida sua oratória; um homem que, segundo os que o conhecem, "prefere ouvir piadas a contá-las".

Mas as pessoas mais próximas dizem que Pérez gosta de ouvir seus assessores antes de tomar decisões. Também destacam nele uma capacidade de trabalho quase obcecante para lutar pelos objetivos que fixa.

O chamado "General da Paz", por ter assinado, em nome do Exército, em 1996, os acordos que puseram fim à guerra de 36 anos, ainda possui um corpo atlético, apoiado pelo costume de jogar tênis pelo menos uma vez por semana.

Fez sempre a campanha de calças jeans, camisas esporte e, no caso de fazer frio, usava uma jaqueta leve. Assim, habituou os guatemaltecos a uma imagem informal, diferente da transmitida por um político mais circunspecto.

O militar foi acusado inúmeras vezes de violações aos direitos humanos, já que comandou unidades nas zonas mais duras do conflito armado guatemalteco, por exemplo em Quiché onde, segundo a ONU, foram registradas 45,52% das vítimas.

"Os que me acusam não vão encontrar nada, porque não há nada", afirmou Pérez, a jornalistas.

"Não tenho nada a esconder nem do que me envergonhar, sempre agi dentro da lei, com respeito à população. Sabia que, se quiséssemos ganhar essa guerra interna, tinha que ser assim, respeitando a população."

Depois de ter percorrido vários quartéis militares, chegou aos salões governamentais em 1993 como chefe de Estado Maior Presidencial, e em 1996 representou o Exército na assinatura dos acordos de paz.

Deixou o exército em 2000 e sofreu um atentado no dia 21 de fevereiro de 2001, quando um grupo disparou contra o veículo em que viajava com sua esposa e filha, três dias antes de fundar o Partido Patriota.

Em 2003, foi eleito deputado e, em 2007, foi candidato à presidência, tendo sido derrotado no segundo turno.

Nascido na Cidade da Guatemala no dia 1º de dezembro de 1950, Otto Pérez é casado desde 1971 com Rosa Leal, com quem teve dois filhos, Lissete - administradora empresarial - e Otto, que saiu vencedor nas eleições para a prefeitura de Mixco, um município perto da capital, pelo mesmo partido do pai.          

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