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Em clima tenso, Haiti espera anúncio sobre segundo turno

Em clima tenso, Haiti espera anúncio sobre segundo turno

Atualizado: Quarta-feira, 2 Fevereiro de 2011 as 11:34

  O Haiti finalmente saberá nesta quarta-feira quais candidatos disputarão, em 20 de março, o segundo turno da eleição presidencial, um processo que se torna ainda mais complicado pelo possível retorno de um polêmico ex-presidente.  O Conselho Eleitoral Provisório prepara o anúncio dos resultados definitivos do caótico primeiro turno da eleição, que ocorreu em 28 de novembro e deu origem a distúrbios e denúncias de fraude.   A ex-primeira-dama Mirlande Manigat já está confirmada na disputa. A outra vaga ficou entre o governista Jude Celestin e o popular músico Michel Martelly.

País mais pobre das Américas, o Haiti ainda luta para se recuperar do devastador terremoto que matou mais de 300 mil pessoas em janeiro de 2010, além de enfrentar uma epidemia de cólera.

No campo político, a instabilidade é agravada pelo retorno, no mês passado, do ex-ditador Jean Claude Duvalier, o "Baby Doc", acusado de corrupção e violação dos direitos humanos. O ex-presidente Jean-Bertrand Aristide também pretende retornar do exílio.

Conforme os resultados preliminares divulgados pelo CEP, Celestin ficou em segundo lugar e deveria disputar o segundo turno. Mas uma missão de especialistas da Organização dos Estados Americanos (OEA) apontou irregularidades e concluiu que a segunda vaga deveria ficar com Martelly.

Apesar da pressão dos EUA e da ONU, as autoridades eleitorais não deram indicações claras de que seguirão a recomendação da OEA. Celestin, que tem apoio do presidente René Préval, se recusa a abdicar da candidatura, apesar da pressão que sofre do seu próprio partido, o Inité.

Mas há a expectativa de que a recomendação da OEA em prol de Martellly irá prevalecer, nem que seja por causa da possibilidade de protestos dos seguidores do músico caso ele seja excluído, como já ocorreu em dezembro, após a divulgação dos resultados preliminares.

"Agora a CEP vê o que o povo quer, e agora os Estados Unidos, uma potência forte, estão fazendo com que eles aceitem o que o povo quer. Eles vão chutar o Jude (Celestin, para fora do segundo turno). É o Martelly que nós queremos", disse Jean-Claude Dece, 38 anos, operário da construção civil.

"Não há boas opções no Haiti, mas aceitar a fórmula da OEA e avançar para um segundo turno em 20 de março parece ser a melhor", disse à Reuters Michael Shifter, presidente da entidade Diálogo Interamericano, de Washington.    

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