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Em dia de jogo, África do Sul lembra aniversário de massacre estudantil

Em dia de jogo, África do Sul lembra aniversário de massacre estudantil

Atualizado: Quarta-feira, 16 Junho de 2010 as 9:15

Este 16 de junho é feriado nacional na África do Sul. Não pela partida dos anfitriões contra o Uruguai, mas por causa de um evento que ajudou o país a poder, um dia, sediar uma Copa. Há exatos 34 anos, em 1976, cerca de 10 mil estudantes negros protestavam contra o ensino obrigatório do afrikaans (a língua dos governantes do Apartheid) nas escolas do país.

A manifestação em Soweto era pacífica, mas foi respondida com violência pela polícia. Dezenas de estudantes morreram, incluindo Hector Peterson, de 13 anos, que virou mártir depois que uma foto dele, já morto, ganhou o mundo.

Na manhã desta quarta-feira (16), centenas de pessoas se concentraram na rua onde aconteceu o massacre para cantar músicas da resistência negra. Lá foram erguidos um memorial, inaugurado por Nelson Mandela em 1992 (quando ele ainda não era presidente), e depois um museu. O local tornou-se um dos pontos turísticos mais visitados de Joanesburgo.

''Aquele foi um dia trágico, mas hoje, depois de termos conseguido a liberdade, olhamos com orgulho para ele. Foram movimentos como esse que mudaram a história da África do Sul. Antes estávamos banidos pela Fifa, não podíamos sequer jogar uma Copa. Agora temos uma Copa em casa. O que aconteceu abriu muitas portas para nós, incluindo para nossos jogadores, que hoje estão neste Mundial''.

Quem diz isso, curiosamente, é o homem responsável por abrir as portas do Museu Hector Peterson. O porteiro David Madidilane, 39 anos, espera que a luta daquele 16 de junho inspire os Bafana Bafana nesta quarta-feira.

''Quando pisarem no gramado, os jogadores precisam lembrar deste dia, saberem da importância que ele tem em nossa história. Devem mostrar o mesmo espírito de luta que outras gerações mostraram para fazer este país melhor'', destaca Madidilane.

A seleção sul-africana tem uma chance preciosa para tornar o 16 de junho ainda mais especial para o país. Uma vitória sobre o Uruguai, em Pretória, deixa a equipe muito próxima da classificação para as oitavas de final.

''Vamos ganhar de 4 a 0. Jogar neste dia é muito significativo para nós. Se não fosse por Deus, por Mandela e por tantos que se sacrificaram, hoje nem teríamos uma Copa do Mundo aqui'', lembra Eugenia Jabuwantcho.

Por Por Rafael Pirrho

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