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Em meio a deserções, manifestantes antigoverno tomam cidades na Líbia

Em meio a deserções, manifestantes antigoverno tomam cidades na Líbia

Atualizado: Segunda-feira, 21 Fevereiro de 2011 as 11:23

Várias cidades líbias, entre elas Benghazi e Syrte, estão dominadas por manifestantes, depois de relatos de deserções nas fileiras do Exército e da polícia, segundo testemunhas e a Federação Internacional de Direitos Humanos.

A entidade calcula entre 300 e 400 o número de mortos desde o início da rebelião. Segundo a Human Rights Watch, ao menos 233 morreram.

"Muitas cidades foram tomadas, principalmente no leste. Os militares estão debandando", disse a presidente da FIDH, Souhayr Belhassen, citando principalmente Benghazi, reduto da oposição, e Syrte, cidade natal do coronel Muammar Kadhafi, que preside o país desde 1969.  Outras testemunhas, no entanto, desmentiram que Syrte tivesse sido tomada.     A polícia debandonou no domingo de Zauia, a 60 km a oeste de Trípoli, e a cidade está mergulhada no mais completo caos, informaram vários tunisianos que fugiram para Ben Guerdan (Tunísia), perto da fronteira entre os dois países. Protestos também estouraram na cidade de Ras Lanuf, que abriga uma refinaria e um complexo petroquímico, segundo o jornal "Quryna".

O grupo petroleiro italiano ENI, principal produtor estrangeiro na Líbia, anunciou em Milão que vai retirar seu pessoal "não essencial" do país.

Ao mesmo tempo, pelo menos três diplomatas líbios renunciaram a seus cargos, e vários líderes tribais e religiosos aderiram à revolta popular.     Milhares de pessoas vêm protestando nos últimos dias na região leste do país contra  Khadafi. O acesso à informação é difícil, e os dados são frequentemente contraditórios.

Um dos filhos do líder disse nesta segunda-feira (21) que Khadafi vai combater a revolta popular "até o último homem em pé", depois que oposicionistas realizaram pela primeira vez manifestações na capital, Trípoli.

"Nosso moral está elevado, e o líder Muammar Khadafi está comandando a batalha em Trípoli. Nós estamos por trás dele, assim como o Exército líbio", afirmou. "Vamos continuar lutando até o último homem que estiver de pé, até mesmo à última mulher que estiver de pé (...). Não vamos deixar a Líbia para os italianos ou para os turcos."     Uma delegacia de polícia estava em chamas em um subúrbio da capital nesta segunda-feira, informou um repórter da agência de notícias Reuters.

Liga Árabe

O chefe da Liga Árabe, o egípcio Amr Musa, manifestou nesta segunda sua "extrema preocupação" com a repressão sangrenta das manifestações contra o coronel Muamar Kadhafi na Líbia, e pediu o cessar de todas as forças de violência. "As reivindicações de todos os povos árabes que exigem reformas, desenvolvimento e mudança são legítimas, e são compartilhados em todas as partes do mundo árabe, principalmente neste momento da história árabe", declarou Musa em um comunicado.

'Líbia não é Egito nem Tunísia'

Na noite deste domingo, o filho Seif Al Islam Khadafi falou na TV sobre a série de protestos contra o governo de seu pai e disse que "a Líbia não é o Egito nem a Tunísia".     Ele também afirmou que a imprensa "exagera no número de mortos" e que "a revolução feita por meio do Facebook foi criada por pessoas fora do país". Segundo ele, a “Líbia é feita de tribos, clãs e lealdade. Vai haver guerra civil".

"Muammar Khadafi não é Mubarak, não é Ben Ali. É um líder do povo", afirmou durante o discurso. "Meu pai está no poder e temos muitos que nos apoiam. Não deixaremos a Líbia, lutaremos até o último homem."

Al Islam disse que existe um movimento de oposição separatista que ameaça a união da Líbia como país. "Não irão nos separar. A Líbia tem petróleo. É isso que nos unifica", disse. Ele atribui o número de mortes à falta de preparo e treinamento do exército líbio para conter manifestações públicas e à histeria coletiva do povo, que quis enfrentar o exército. No discurso, ele confirmou que 84 pessoas foram mortas em na cidade de Benghazi.

Ele afirma que a imprensa exagera no número de mortos e sobre o que ocorre nas ruas. "Querem comparar o que acontece na Líbia com o que aconteceu em outros países recentemente. São grupos formados por sindicatos, partidos políticos e grupos islâmicos que estão por trás da violência. Sabemos o que desejam, que é separar a Líbia".

O filho de Khadafi disse também que estes partidos usaram árabes, africanos e imigrantes ilegais para espalhar o caos nas ruas. "Radicais islâmicos querem criar um emirado islâmico em Al-Bayda.Se a Líbia se partir, ela vai se dividir em pequenos emirados, o que nos levaria de volta ao que existia há 60, 70 anos".

Al Islam reiterou que não quer uma guerra civil. “Estamos diante de uma grande prova. Somos todos iguais neste momento, até mesmo os vândalos nas ruas. Todos temos armas. Se entrarmos em guerra, nos mataremos na rua e a Líbia cairá”. Ele disse, também, que o "Ocidente não permitirá que os protestos, o terrorismo e a violência tenham impacto no petróleo".

Tunisianos

Mais de 2.300 tunisianos residentes na Líbia abandonaram o país desde domingo por razões de segurança, informou a agência oficial tusinisiana TAP. A maioria decidiu voltar de maneira espontânea, já que consideram que a situação vai piorar na Líbia.    

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