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Em meio à violência, oposição pede renúncia do presidente do Iêmen

Em meio à violência, oposição pede renúncia do presidente do Iêmen

Atualizado: Terça-feira, 29 Março de 2011 as 1:42

Os manifestantes que exigem a saída do presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, disseram nesta terça-feira (29) que insistirão para que ele deixe o poder logo, culpando-o pela violência que despertou temores nos Estados Unidos de um caos que possa beneficiar militantes.

Explosões em uma fábrica de armas na segunda-feira mataram mais de 100 pessoas em uma cidade do sul onde islâmicos parecem ter expulsado as forças do governo, um lembrete da instabilidade que os aliados ocidentais de Saleh temem no empobrecido país árabe.

A rede de TV Al Arabiya afirmou que o saldo de mortos pode chegar a cerca de 150.     A principal coalizão de organizações oposicionistas disse que Saleh é culpado pela presença de grupos militantes como a rede terrorista da al-Qaeda na província de Abyan, onde a explosão ocorreu.

"Condenamos este crime horrível e acusamos o presidente e sua gente de envolvimento com a al-Qaeda e grupos armados a quem oferecem instituições governamentais em Abyan. O caos foi planejado antecipadamente", declararam em um comunicado.   "A continuação de Saleh no poder é um perigo ao Iêmen, seu povo e seus interesses internacionais", acrescentou o grupo.

Moradores de Abyan disseram nos últimos dias que forças de segurança desertaram na cidade de Jaar, cenário da detonação. Os governantes das províncias de Jawf e Saada, no norte, também se retiraram, talvez temendo confrontos com tribos opostas ao presidente.

No centro do país, o governador de Maarib foi esfaqueado depois de tentar dispersar um protesto no início do mês.

Saleh, que vem se mostrando alternadamente conciliador e desafiador, prometeu em público não fazer novas concessões a adversários que exigem sua renúncia após 32 anos de governo autoritário.

Sobrevivente longevo de guerras civis e de militantes, ele declarou que o Iêmen pode entrar em um conflito armado e se fragmentar em interesses regionais e tribais se abandonar o cargo imediatamente.

Mas manifestantes acampados nos arredores da Universidade de Sanaa desde o início de fevereiro também disseram suspeitar da retirada de seguranças e autoridades de algumas áreas e acusaram Saleh de fomentar atritos por razões políticas.

"Saleh quer nos assustar e ao mundo com o caos, que ele começou a causar em algumas áreas", disse Ali Abdelghani, 31 anos, um funcionário público entre os milhares de manifestantes em Sanaa.

"Mas somos capazes de expor seu jogo. Há comitês populares em todas as províncias para oferecer segurança, já que o presidente retirou a segurança em alguns lugares para que o caos se espalhe."

Dezenas de policiais e soldados de diferentes unidades se uniram às manifestações nesta terça-feira, entoando slogans como "O povo quer a queda do regime" e "A polícia e o Exército são parceiros para prover as necessidades diárias".

"Estamos otimistas com o sucesso de nossa revolução. É só uma questão de tempo", disse Marwan Hussein, estudante de 18 anos.    

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