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Em NY, Dilma diz que Brasil quer participar de decisões sobre crise

Em NY, Dilma diz que Brasil quer participar de decisões sobre crise

Atualizado: Quinta-feira, 22 Setembro de 2011 as 3:49

A presidente Dilma Rousseff durante conversa

com jornalistas nesta quinta-feira (22), em Nova

York (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência)

  A presidente Dilma Rousseff disse, nesta quinta-feira (22), durante entrevista em Nova York, que o Brasil quer ser ouvido na procura por soluções para a crise econômica internacional.

"Nós não somos responsáveis pela crise e não somos aqueles que sofrem a crise diretamente. Não há a menor dúvida. Mas também não se pode alegar que não soframos as consequências indiretas da crise", disse.

"Sofremos as consequências e, como sofremos as consequências, julgamos que temos todo o direito de participar e de discutir as saídas [para a crise econômica mundial]", completou a presidente.

Dilma fez um balanço sobre seus cinco dias nos Estados Unidos para compromissos relacionados à 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Ela também mencionou o papel dos países emergentes na diplomacia internacional, reafirmou a necessidade de o Brasil integrar permanentemente o Conselho de Segurança da ONU e comentou seu discurso sobre segurança nuclear da manhã desta quinta-feira.

Para ela, a inflação decorrente do cenário de crise é um problema perene que pode ser conjugado com a sustentação do crescimento da economia e controle inflacionário.

Dilma também afirmou acreditar ser necessário aos países tomar decisões que fujam das "soluções antigas". "Não é possível dar mais respostas antigas para problemas novos", disse. Para ela, uma dessas decisões é aceitar a necessidade de desvalorizar as dívidas existentes. "Mas também não podemos ficar pregando receituário para o mundo."     A presidente teceu ainda críticas indiretas à política econômica norte-americana. Ela retomou o tom de seu discurso de abertura na 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas e atacou a manipulação cambial do dólar.

Dilma avaliou que os impactos da crise em países ricos não se aplicam da mesma forma no Brasil. "Nós somos um país com uma relação de endividamento muito baixa, nós temos as contas públicas em ordem, nós somos um dos países com a mais elevada acumulação de reservas e também temos toda a regulação dos bancos que é muito sólida essa regulação."

Para Dilma, a América Latina vive "um novo tempo". Ela afirmou que experiências recentes de como lidar com a crise são ilustrativas para o mundo. "Nós somos aqueles que conhecem perfeitamente o processo de crise, nós sabemos perfeitamente que não se sai de momentos profundos de crise através de políticas recessivas."

"Agora nós temos extrema clareza de que essa política tem que ser completada com inovação e crescimento da qualidade dos serviços públicos no Brasil." Ela citou saúde e educação - áreas que foram tratadas durante sua viagem aos EUA.

Comissão da Verdade

Dilma não quis comentar sobre a aprovação, na noite de quarta-feira (21), da Comissão da Verdade , que agora segue para votação no Senado. "Eu acho que é importante para o Brasil [a aprovação da Comissão da Verdade] e é importante para a posição do Brasil para o mundo", disse.      

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