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Em reunião bilateral, Paquistão pede mais cooperação da Índia contra terrorismo

Em reunião bilateral, Paquistão pede mais cooperação da Índia contra terrorismo

Atualizado: Quinta-feira, 15 Julho de 2010 as 2:38

Após encontro dos chanceleres indiano e paquistanês em Islamabad para tentar retomar as relações bilaterais entre os dois países -- afetadas após os ataques de Mumbai, em 2008 -- o Paquistão pediu à Ìndia mais cooperação contra o terrorismo.

Os dois chanceleres, o indiano S.M. Krishna e o paquistanês Shah Mehmood Qureshi, conversaram com o objetivo de destravar o processo de paz entre os dois países.

Chanceleres da Índia e do Paquistão se reúnem em Islamabad para iniciar retomada de relações bilaterais

Krishna falou com seu colega, e depois com o primeiro-ministro Yusuf Raza Gilani e com o presidente Asif Ali Zardari na "zona vermelha" submetida a fortes medidas de segurança onde se encontram os prédios governamentais e muitas embaixadas no centro de Islamabad.

Em um comunicado publicado por seus serviços depois desta reunião, Zardari reiterou a oposição de seu país contra "qualquer forma de rebelião e de terrorismo, seja onde for", e afirmou que "os dois governos devem trabalhar juntos para melhor eliminar esta ameaça".

RETOMADA

Os chanceleres da Índia e do Paquistão iniciaram nesta quinta-feira, em Islamabad, conversações destinadas a reativar o processo de paz entre os dois países, bloqueado desde os atentados de Mumbai, que deixaram 166 mortos em novembro de 2008.

Os dois ministros, o indiano S.M. Krishna e o paquistanês Shah Mehmood Qureshi, apertaram as mãos antes de começar o encontro na chancelaria paquistanesa. Esta é a primeira reunião de alto nível entre os dois países nos últimos dois anos.

A aproximação já havia sido retomada em abril, quando os premiês indiano e paquistanês aceitaram se reunir à margem de uma conferência regional no Butão.

De acordo com analistas não há expectativas de grandes progressos nas relações bilaterais de forma concreta, sendo a reunião mais importante pelo valor simbólico como um passo inicial nos diálogos de paz.

ACUSAÇÕES

O governo indiano tem indicado que nenhum avanço significativo poderá ocorrer até que o Paquistão mostre sua determinação para desmantelar o grupo militante Lashkar-e-Taiba, supostamente envolvido no ataque a Mumbai.

O grupo teria sido montado com a ajuda do próprio Estado paquistanês há cerca de 20 anos para pressionar a Índia na disputa territorial da Caxemira.

O ambiente do encontro pode ser influenciado também pelas acusações feitas na quarta-feira pelo secretário indiano de Interior, G.K. Pillai, de que a agência de inteligência do Paquistão ajudou a orquestrar os ataques contra Mumbai.

Pillai disse ao jornal "Indian Express" que as novas informações sobre o papel da agência Inter-Services Intelligence (ISI, na sigla em inglês), foi descoberto graças ao interrogatório de David Coleman Headley, um americano que se declarou culpado a uma corte dos EUA em março deste ano, após ter sido acusado de envolvimento nos ataques.

As autoridades paquistanesas não comentaram as acusações, mas a ISI já negou em outras ocasiões qualquer ligação com os ataques.

O conselheiro americano de segurança nacional, Jim Jones, também pressionou o Paquistão a fazer mais para combater militantes terroristas. "Nós queremos ver um programa mais abrangente que aborde todos os aspectos do terrorismo porque todos estes grupos que encontramos estão interligados", disse.

Os EUA também se interessam pela melhora das relações bilaterais entre Índia e Paquistão, esperando que o governo paquistanês mova suas tropas da fronteira com a Índia para a fronteira com o Afeganistão.

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