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Embaixada recomenda que brasileiros evitem Bancoc por causa dos protestos

Embaixada recomenda que brasileiros evitem Bancoc por causa dos protestos

Atualizado: Segunda-feira, 26 Abril de 2010 as 12

A Embaixada do Brasil na Tailândia publicou um comunicado que recomenda que os brasileiros que forem ao país evitem passar pela capital Bancoc em virtude da crise política e conflitos entre os manifestantes antigovernistas conhecidos como "camisas vermelhas" e o Exército do país.

"A Embaixada em Bancoc sugere aos brasileiros que evitem viagens a Bangkok nos próximos dias, em virtude da crise política no país e do potencial de violência, especialmente na capital", diz a nota. "A Embaixada recomenda aos brasileiros residentes na Tailândia ou que estejam de passagem pelo país que evitem locais em Bancoc ou nas províncias onde haja manifestações de protesto dos "camisas vermelhas" ou de outros grupos, bem como presença militar", prossegue.

A nota também alerta para a possibilidade de violência que coloque em risco a integridade física das pessoas. "Não se pode descartar a possibilidade de que venham a ocorrer eventos que ponham em risco a segurança física da população e de visitantes. Nas últimas semanas, houve em Bancoc e em algumas províncias ataques contra prédios governamentais e outros, feitos com granadas, bombas e tiros, sobretudo à noite. Na quinta-feira, 22 de abril, atentado junto a uma estação do trem elevado de Bancoc (SkyTrain) resultou em 86 feridos e uma vítima fatal. Há indícios de que poderá haver novos choques entre as forças de segurança e os manifestantes "camisas vermelhas", bem como entre estes e outros grupos."

Rei se pronuncia pela primeira vez

Nesta segunda-feira (26) o rei Bhumibol Adulyadej, 82, hospitalizado desde setembro do ano passado, falou pela primeira vez desde que os conflitos se intensificaram. Diretamente do hospital onde está internado se recuperando de uma inflamação no pulmão, o rei destacou o trabalho dos juízes recentemente nomeados e afirmou que todos devem desempenhar suas funções fielmente e ajudar a manter o país estável.

"No país pode haver pessoas que negligenciaram suas funções, mas existem aqueles que exercem seus papéis com rigor e honestidade", afirmou. Seu comentário foi visto como referência às acusações de que o governo não conseguiu manter a ordem depois que começaram os protestos do grupo que assumiu parte do poder no centro de Bancoc.

Pelo menos 26 pessoas morreram e cerca de 1.000 ficaram feridas desde que as manifestações dos camisas cermelhas" se intensificaram e provocaram o fechamento de hotéis e shoppings, gerando prejuízos ao turismo no país.

O governo afirmou que esperava resolver o problema pacificamente, mas acrescentou que não pode permitir que os protestos continuem sem prazo para terminar. "Queremos manter a paz e voltar a normalidade na área", fisse o porta-voz do governo, Panitan Wattanayagorn.

A Tailândia está imersa em uma profunda crise política fruto da luta entre os detratores e seguidores de Thaksin Shinawatra, deposto no levante de 2006 após governar por quase seis anos.

Os "camisas vermelhas" são formados principalmente de membros das camadas mais baixas, camponeses, apoiadores do ex-primeiro-ministro Shinawatra e ativistas pró-democracia que se opunham ao golpe militar que o derrubou em 2006. Eles acreditam que o governo do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva é apoiado pela elite urbana e ilegítimo.

Exilado e foragido da Justiça tailandesa, o milionário Shinawatra, condenado na Tailândia a dois anos de prisão por corrupção e abuso de poder, dirige e financia os protestos.

Nesta segunda-feira (26) novos protestos, barricadas e um ataque de granada perto da casa de um político agravaram o clima no país, depois de o primeiro-ministro rejeitar os apelos dos manifestantes pela convocação de novas eleições dentro de 30 dias.

Os manifestantes fortificaram o amplo acampamento no principal bairro comercial de Bangcoc, pedindo aos seus apoiadores nas províncias do norte que impeçam comboios policiais e militares de chegarem à capital.

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