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Escolas israelenses ensinam como matar "crianças inimigas"

Escolas israelenses ensinam como matar "crianças inimigas"

Atualizado: Quinta-feira, 19 Novembro de 2009 as 12

Judeus ortodoxos se reúnem no túmulo do rabino Gavriel Holtzberg, em Jerusalém; as lições radicais das escolas religiosas têm se tornado um problema para o governo de Israel, pelo incentivo à desobediência militar

O governo de Israel enfrenta uma onda de desobediência entre os militares do país. Soldados religiosos se negam a desocupar colônias judaicas em territórios palestinos, por considerar que as terras pertencem a Israel pela tradição bíblica. Estes militares estudam, em geral, nas ''Hesder Yeshivas'', escolas ortodoxas que combinam ensino militar e religioso. As lições constam do livro A Torá do Rei, que ensina que aos soldados ''é permitido machucar crianças de um líder (inimigo) para pressioná-lo''. O livro diz ainda que segundo a ''Halaja'' (lei religiosa judia), ''existe razão para matar os bebês dos gentios (não judeus)'' que são considerados uma ''futura ameaça''.

Segundo reportagem publicada nesta quinta (19) no jornal espanhol El País, as 62 escolas ''Hesder Yeshivas'' são financiadas pelo Estado de Israel.

A visão radical dos judeus ortodoxos não é compartilhada pela maioria dos judeus de Israel e do mundo. Tanto que a denúncia foi feita pela ONG israelense Yesh Din, que revelou que o governo repassou às tais escolas um milhão de shekels (R$ 460 mil), apenas entre os anos de 2006 e 2007.

Livro ensina quando matar crianças ''inimigas''

Uma das escolas é dirigida pelo rabino ortodoxo Yitzhak Shapira, que junto com outro rabino, Yosef Elitzur, é autor do livro A Torá do Rei: lei sobre a vida e a morte entre os judeus e as nações.

O livro incentiva que os jovens soldados desobedeçam às ordens militares (considerada uma quebra de hierarquia grave em qualquer regimento das Forças Armadas em todo o mundo). Isso explica a rebelião de alguns militares, que se negaram, por exemplo, a esvaziar a colônia de Homesh, construída no território palestino da Cisjordânia. Em outros assentamentos as ordens do governo são igualmente desobedecidas.

O livro, no entanto, incentiva não apenas que os soldados não sigam as ordens, mas que tomem decisões próprias:

''Não é preciso uma decisão do Estado para permitir o derramamento de sangue de quem pertence ao império malvado. (...) Qualquer membro da nação inimiga é considerado um inimigo''.

Segundo a visão tradicional do Judaísmo, os judeus foram o povo escolhido por Deus. Logo, os radicais ortodoxos veem os gentios (não judeus) como seres inferiores, segundo o El País. No livro aprendido nas escolas financiadas pelo governo israelense a passagem mais chocante é sobre a morte de crianças, filhos dos considerados inimigos.

''Existe uma razão para machucar as crianças, se está claro que vão crescer para nos machucar. É permitido machucar os filhos de um líder (inimigo) para pressioná-lo com o fim de que não atue de maneira malvada. Vemos na ''Halaja'' (lei religiosa judia) que existe, inclusive, razão para matar os bebes dos gentios (não judeus), sem violar as sete leis dadas por Deus a Noé, pela ameaça futura que representam se são criados por gente malvada como seus pais''.

Liberdade aos judeus contrasta com controle aos palestinos

Ironicamente, nos territórios palestinos controlados pelo Autoridade Nacional Palestina (a Cisjordânia), qualquer ensino religioso que promova o ódio aos israelenses é duramente controlado, segundo o El País.

O jornal lembra que o governo dos Estados Unidos já elogiou os esforços do governo palestino, que recebe com 24 horas de antecedência os sermões que vão ser pregados nas mesquitas durantes a reza das sextas-feiras, para assegurar que os líderes muçulmanos não vão incitar o ódio contra os judeus.

Na faixa de Gaza, controlada pelos fundamentalistas muçulmanos do Hamas, a história é parecida com a das ''Hesder Yeshivas''. Ao invés da ''Halaja'' (lei judia), se ensina a ''Sharia'' (lei religiosa islâmica), que também prega o ódio, com a diferença de que neste caso os inimigos são os judeus israelenses.

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