MENU

Especialistas criticam estratégia de liderança do Brasil na América Latina

Especialistas criticam estratégia de liderança do Brasil na América Latina

Atualizado: Quinta-feira, 22 Outubro de 2009 as 12

O ex-presidente colombiano César Gaviria e o ex-ministro das Relações Exteriores Jorge Castañeda criticaram nesta segunda-feira a estratégia de liderança do Brasil na América Latina, durante um fórum sobre a região realizado em São Paulo. Castañeda afirmou durante o Brazil Summit, organizado pela revista britânica ''The Economist'':

''Não se pode ser um líder mundial somente negociando. Deve-se tomar uma posição e não tentar ficar bem com todos. O Brasil não está pronto para enfrentar o desafio de líder regional que tem. Não está preparado para resolver os conflitos regionais''.

Castañeda deu em seguida como exemplo a polêmica gerada na América do Sul pela autorização do uso de sete bases militares na Colômbia por tropas americanas. Ele ainda afirmou:

''Um dia o Brasil apoia (o presidente da Venezuela, Hugo) Chávez sobre as bases e depois (o líder colombiano, Álvaro) Uribe e diz que tudo está bem. O Brasil tem às vezes uma atitude hipócrita''.

Ele ainda disse que, com a atual política diplomática, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ''vai sair do governo, pode voltar em 2014, e vai a sair de novo em 2018, sem que o Brasil tenha um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas''.

Já Gaviria abordou mais a liderança econômica do Brasil na região e disse que o país tem capacidade para crescer, mas cresce abaixo de sua capacidade:

''O tão falado crescimento do Brasil é apenas uma possibilidade, pois ainda não demonstrou sua capacidade''.

Gaviria, que também foi secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), disse que o Brasil tem ''muitas ideias políticas para desenvolver, mas confia demais na negociação e perdeu a oportunidade na Alca (Área de Livre-Comércio das Américas) e na Rodada de Doha'' da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Gaviria disse que o Brasil ''respeita muito os Estados Unidos e pensa muito na Europa, que como mercado não é muito conveniente''.

O ex-presidente colombiano acrescentou que, como o México, Brasil necessita reformar suas instituições. O Brasil na América tem que liderar o tema da mudança climática, assim como lidera a posição diante do FMI (Fundo Monetário Internacional).

Na opinião do ex-líder, ''não há entendimento na América Latina. O Mercosul, por exemplo, é um acordo basicamente entre Brasil e Argentina e estão integrando a Venezuela, que não acredita em um comércio aberto. Por isso, o Mercosul não tem futuro''.

Gaviria se mostrou também contrário ao Conselho de Defesa da União de Nações Sul-americanas (Unasul):

''Defender de que? Não há ameaças. Os EUA querem bases militares na Colômbia, mas isso é um problema artificial que dividiu o hemisfério. Sem México e Brasil é impossível que os EUA façam alguma coisa para acabar com o bloqueio econômico de Cuba. [O presidente americano, Barack] Obama não vai fazer nada se a América Latina não quiser''.

veja também