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EUA acham "positivo" acordo nuclear do Irã, mas avançam com sanções

EUA acham "positivo" acordo nuclear do Irã, mas avançam com sanções

Atualizado: Segunda-feira, 17 Maio de 2010 as 5:09

A Casa Branca informou nesta segunda-feira (17) que acredita que está havendo progresso na definição de novas sanções contra o Irã por conta do programa nuclear de Teerã.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, não quis falar em prazo, mas disse que está havendo um "progresso firme" na resolução de sanções.

As declarações ocorrem no dia em que o Irã assinou um acordo, mediado por Brasil e Turquia, membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU, para mandar combustível nuclear iraniano para ser enriquecido em território turco. O acordo precisa ser submetido à agência de energia nuclear nas Nações Unidas e foi recebido com cautela pela comunidade internacional.

A Casa Branca ressaltou o fato de que o acordo precisa ser submetido à Agência Internacional de Energia Atômica, e disse que só depois disso ele poderá ser aceito pela comunidade internacional.

O governo Obama disse que o programa fechado com a mediação de Brasil e Turquia é um passo positivo, mas o Irã ainda tem de demonstrar por atos que vai respeitar suas obrigações internacionais na questão nuclear. Caso contrário, as sanções contra Teerã no âmbito das Nações Unidas continuam sobre a mesa.

A Casa Branca afirmou que os EUA e a comunidade internacional continuam tendo "sérias preocupações" sobre as ambições nucleares do Irã e disse o enriquecimento de urânio feito pelo país viola resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Apesar disso, a Casa Branca considerou um "passo positivo" do Irã concordar em transferir o enriquecimento de urânio.

"O Irã precisa tomar os passos necessários para assegurar à comunidade internacional que seu programa nuclear é voltado exclusivamente para propósitos pacíficos", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, em um comunicado.

O comunicado informa também que os EUA vão seguir colaborando com seus sócios internacionais para "deixar claro ao governo iraniano que ele tem de demonstrar por atos, e não meras palavras, sua vontade de respeitar suas obrigações internacionais". Do contrário, enfrentará consequências, inclusive sanções.

Departamento de Estado

O Departamento de Estado dos EUA afirmou que o projeto de novas sanções contra o Irã por conta de seu programa nuclear se mantém inalterado, apesar do acordo.

Os EUA vão negociar com o Irã se Teerã se mostrar sensível às preocupações da comunidade internacional sobre seu programa nuclear, disse o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley.

"Nós estamos preparados para encontrar o Irã em qualquer lugar, a qualquer hora, considerando que o Irã esteja preparado para responder às preocupações da comunidade internacional sobre seu programa nuclear. Foi o Irã que falhou em fazer isso nos últimos meses", disse.

Mas ele insistiu que os EUA continuam a estudar uma nova rodada de sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU.

Repercussão

O acordo foi considerado uma vitória da diplomacia pelo presidente Lula, mas foi recebido com cautela pela comunidade internacional. O presidente russo, Dimitri Medvedev, disse que havia questões ainda para serem respondidas, a começar se o acordo incluiria todo o urânio usado no programa nuclear de Teerã. Mais cedo, uma autoridade iraniana afirmou que o país seguiria enriquecendo urânio a 20%, apesar do acordo desta segunda.

O porta-voz da ONU afirmou que as resoluções do Conselho de Segurança precisam ser cumpridas. A União Europeia saudou o acordo, mas afirmou que ele não resolve todas as "inquietações" da comunidade internacional. A chancelaria francesa disse que o acordo não soluciona a questão nuclear iraniana.

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