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EUA dizem que Al Qaeda tenta conseguir arma nuclear há 15 anos

EUA dizem que Al Qaeda tenta conseguir arma nuclear há 15 anos

Atualizado: Terça-feira, 13 Abril de 2010 as 12

O principal assessor do presidente americano em contraterrorismo, John Brennan, disse na noite desta segunda-feira, dia 12, primeiro dia da Cúpula de Segurança Nuclear em Washington (EUA), que há evidências de que o grupo terrorista Al Qaeda está tentando obter armas de destruição em massa há 15 anos. O encontro, que termina hoje, discute justamente como evitar que arsenal nuclear caia na mão de grupos terroristas, que não hesitariam em usá-lo.

"Al Qaeda é especialmente notável por seu longo interesse em material nuclear utilizável e conhecimento necessário que permitiria que desenvolvesse uma linha de produção de dispositivos nucleares improvisados", disse Brennan, citado pela rede de TV americana CNN.

Segundo Brennan, obter armas nucleares ajudaria a Al qaeda a cumprir seu "maior objetivo". "Eles teriam a habilidade não apenas de ameaçar nossa segurança e a ordem mundial de uma maneira sem precedentes, mas também matar e ferir muitos milhares de homens, mulheres e crianças inocentes".

O conselheiro diz ainda que os grupos terroristas têm a seu favor o trabalho do crime organizado e de várias gangues de criminosos que tentam obter o material para vendê-lo a altos preços para terroristas.

Questionado sobre informações específicas de inteligência sobre a extensão da ameaça imposta pela Al Qaeda à segurança dos arsenais nucleares, Brennan disse apenas que há "muitas atividades e declarações públicas da Al Qaeda" que mostram sua determinação em obter armas nucleares.

A rede de TV CNN cita um oficial do governo americano que ressalta que a Al Qaeda não parece estar próxima de obter uma arma nuclear e nem tem o conhecimento necessário para construir uma arma nuclear, um processo altamente sofisticado.

Cúpula

O presidente Barack Obama abriu na noite desta segunda-feira a cúpula com um jantar de Estado aos representantes de 47 países.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve presente ao jantar de trabalho ao lado de líderes de países como México, Argentina, Chile, Espanha, China, França, Itália, Alemanha, Rússia, Índia e Japão.

A eles se juntaram o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon; o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano.

A cúpula é o maior evento internacional promovido por um presidente americano desde 1945. Com ele, a Casa Branca quer chamar a atenção para o terrorismo nuclear, que Washington considera o maior perigo para a segurança mundial.

Avanços

A cúpula já começou a render resultados concretos e importantes. A Ucrânia anunciou após a reunião bilateral entre Obama e o presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, que Kiev renunciará ao seu material nuclear altamente refinado em dois anos, data da próxima cúpula de segurança nuclear.

Além disso, EUA e China decidiram cooperar na resolução da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre novas sanções ao programa nuclear do Irã.

Segundo a Casa Branca, Obama e seu colega chinês, Hu Jintao, deram instruções a suas delegações para que, ao redigir a resolução, fique claro para o Irã quais as consequências de um eventual não cumprimento da vontade da comunidade internacional.

A reunião entre Washington e Pequim foi a mais importante e esperada da longa série de encontros bilaterais mantidos por Obama, que recebeu ontem os líderes de Índia, Cazaquistão, África do Sul, Paquistão e Nigéria.

Agenda

O vice-presidente americano, Joe Biden, ressaltou durante um almoço de trabalho com pouco mais de 12 líderes de países em desenvolvimento que só são necessários 22 quilos de urânio de alta pureza para fabricar uma bomba que poderia destruir qualquer centro das grandes capitais mundiais e matar "dezenas ou centenas de milhares de indivíduos".

Para impedir que isso ocorra, as nações reunidas em Washington buscarão iniciar um plano de trabalho para impedir que a Al Qaeda e grupos similares ponham as mãos em urânio enriquecido ou plutônio refinado.

Em torno desse objetivo girarão as conversas desta terça-feira no Centro de Convenções de Washington, sede do encontro, onde terão lugar duas reuniões plenárias e um almoço de trabalho que terminará com a divulgação de um comunicado conjunto.

Para completar, o presidente abrirá um espaço em sua agenda para receber os governantes de Turquia e Alemanha.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o secretário de Energia, Steven Chu, terão reuniões paralelas com seus colegas.

O encontro em Washington acontece após a histórica redução de arsenais nucleares acordada entre EUA e Rússia e depois que o governo Obama assegurou, como parte de sua nova estratégia nuclear, que só utilizará bombas atômicas em "circunstâncias extremas".

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