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EUA, Europa e ONU condenam atentados em Moscou

EUA, Europa e ONU condenam atentados em Moscou

Atualizado: Segunda-feira, 29 Março de 2010 as 12

Os Estados Unidos, a União Europeia e a Organização das Nações Unidas condenaram nesta segunda-feira, dia 29, os atentados que mataram pelo menos 38 pessoas em explosões realizadas hoje, dia 29, em diferentes estações do metrô de Moscou.

O presidente norte-americano, Barack Obama, classificou os ataques como "cruéis" e afirmou que os Estados Unidos são solidários ao povo russo no repúdio à violência extremista, segundo um comunicado distribuído pela Casa Branca.

Já o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, disse estar "consternado" com os atentados e enviou suas condolências ao presidente russo, Dmitri Medvedev.

Ainda na Europa, o ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, lembrou a luta da Rússia contra o terrorismo. "Os terroristas tendem sempre a atingir contra quem quer erradicá-los. Nenhum país do mundo civil e democrático é imune ao terrorismo", observou o chanceler.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, manifestou a sua confiança de que as autoridades russas levem à justiça "os responsáveis por estes odiosos ataques terroristas".

"O secretário-geral condena energicamente os dois atentados a bomba praticados no metrô de Moscou esta manhã, causando a trágica perda de muitas vidas inocentes e ferindo outras pessoas", indicou a ONU em um comunicado.

Segundo o Serviço Federal de Segurança da Rússia (da sigla FSB, antiga KGB), as explosões foram efetuadas por mulheres-bomba que detonaram os explosivos em duas estações do metrô de Moscou, deixando pelo menos 38 mortos e 60 feridos, segundo o último balanço oficial.

Os atentados de hoje ocorreram no início do horário de pico em Moscou e paralisaram completamente a principal linha de transporte metropolitano da cidade, que transporta todos os dias cerca de 2 milhões de pessoas. Este é o ataque mais sangrento ocorrido em Moscou nos últimos cinco anos.

Suspeita sobre os tchetchenos

O governo da Rússia acusou "grupos terroristas" vinculados a grupos separatistas da Tchetchênia (no Cáucaso) pelas duas explosões nas estações Lubyanka e Park Kultury do metrô.

A região do Cáucaso é majoritariamente muçulmana e palco de violenta insurgência nos últimos anos. A violência tem aumentados nas regiões do sul da Rússia, inclusive a Tchetchênia, cenário de duas guerras separatistas na década de 1990, e também nas republicas do Daguestão e da Inguchétia, onde os rebeldes tentam criar um Estado islâmico independente.

De acordo com o Ministério de Emergência do país, a primeira explosão aconteceu pouco antes das 8h (horário local, 2h de Brasília) na estação Lubyanka, quando as portas do trem se abriram, e as pessoas saíam para a plataforma. Essa estação fica na praça de mesmo nome, que abriga a sede da FSB, onde ocorriam interrogatórios e eliminações de dissidentes do regime na época da União Soviética. O segundo atentado, executado na estação Park Kultury às 8h40 (horário local), matou pelo menos 12 pessoas e deixou 15 feridos.

Fontes do governo revelaram que as equipes de resgate encontraram pedaços de corpos de duas terroristas que causaram as explosões nas duas estações. Testemunhas relataram o pânico nas duas estações subterrâneas atingidas, com pessoas caindo umas sobre as outras em meio à densa fumaça e poeira quando tentavam escapar.

Devido aos ataques, o presidente russo, Dmitri Medvedev, declarou guerra contra o terrorismo no país. "A política de esmagamento do terror em nosso país e a luta contra os terroristas continuará. Prosseguiremos as operações contra os terroristas sem vacilações e até o final", disse Medvedev em comunicado distribuído pelo Kremlin.

Guerra separatista

Os ataques reascenderam os temores de que os insurgentes islâmicos do Cáucaso Norte estejam levando sua guerra separatista para o centro da Rússia, como prometeram.

O líder islâmico Doku Imarov, da região caucásica da Tchetchênia, divulgou recentemente na internet ameaças de que Moscou seria o próximo alvo dos rebeldes.

Para o diretor dos serviços de inteligência russos, Alexander Bortnikov, os insurgentes do Cáucaso são os principais suspeitos.

Alexei Malashenko, um especialista do Carnegie Centre, afirma que os atentados poderão marcar o início de uma jihad, a guerra santa, no coração da Rússia.

"Não descarto a possibilidade de terem iniciado a jihad que estão anunciando desde o final de dezembro", declarou Malashenko à AFP.

O norte-americano IntelCenter - que observa os comunicados de grupos rebeldes – também apontou a suposta implicação do líder Umarov. "A versão mais provável é que o grupo por trás do duplo atentado suicida no metrô de Moscou seja o Emirado Cáucaso, dirigido por Doku Umarov", afirmou em um comunicado.

Em entrevista publicada em 14 de fevereiro no site Kavkazcenter, plataforma dos rebeldes, Umarov advertiu que os islâmicos mudariam suas atividades do Cáucaso para o centro da Rússia.

"O sangue não será derramado apenas em nossas cidades e povoados. A guerra chegará a suas cidades", afirmou.

No contexto de uma insurgência que ganha força e violência no Cáucaso Norte, os rebeldes atacam com regularidade as delegacias de polícia e os responsáveis locais em tiroteios e atentados suicidas que a imprensa estatal russa apenas menciona.

"Isso está diretamente ligado à situação no Cáucaso Norte", explicou à AFP Grigory Shvedov, redator-chefe do site Causasianknot. "Voltar a violar os direitos da população faz com que cresça a base de mobilização dos terroristas", considera.

"Temos razões para prever mais atentados fora das fronteiras do Cáucaso no futuro", completou.

Em uma tentativa de reforçar seu controle na região, o Kremlin designou em janeiro um novo emissário para o Cáucaso Norte, o influente político e empresário Alexander Jloponin. O presidente russo, Dmitri Medvedev, encarregou Jloponin, nomeado também vice-primeiro ministro, de melhorar a economia da região, afetada pela corrupção e pelo desemprego.

Na opinião de Oleg Orlov, líder da organização Memorial de Direitos Humanos, os atentados no metrô de Moscou são o reflexo de um conflito que segue aberto.

"É um conflito armado que nunca cessou e as ameaças de levar a jihad à Rússia nunca pararam", afirma. "O descontentamento se manifesta através do terrorismo".

Os analistas citaram fatores recentes que podem ter precipitado os ataques, como o anúncio neste mês de que a Rússia matou dois importantes líderes rebeldes leais a Umarov, Said Buriatskai e Anzor Astemirov.

Para Malashenko, o duplo atentado de Moscou é uma "vergonha" por conta das mortes.

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