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EUA, França e Rússia criticam escalada nuclear

EUA, França e Rússia criticam escalada nuclear

Atualizado: Quarta-feira, 17 Fevereiro de 2010 as 12

A França, os Estados Unidos e a Rússia disseram estar preocupados com a escalada do programa nuclear do do Irã em uma carta assinada por seus embaixadores e entregue à Agência Internacional de Energia Atômica, organização ligada à ONU.

Segundo os três países, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), o enriquecimento de urânio a 20% por Teerã é injustificado - já que a proposta nuclear entregue pelas potências para a troca do material por combustível nuclear incluía garantias para o benefício do país.

A carta enviada nesta terça-feira ao diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, é uma resposta ao argumento iraniano - reforçado nesta terça-feira pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad - de que Teerã não aceitou a proposta nuclear das potências por não considerar os termos adequados.

"[Isto] é completamente injustificado. Se o Irã continuar com esta escalada, levantará sérias preocupações sobre suas intenções nucleares", diz a carta, datada de 12 de fevereiro.

O documento diz ainda que a proposta para o Irã trocar urânio por combustível nuclear para produção de isótopos de uso médico - que anulariam o risco de produção de armas - continham garantias legais que seriam cumpridas.

A carta lista condições que "dariam garantias de nosso compromisso coletivo" para cumprir o acordo, além de "substanciais garantias políticas" de Washington.

As garantias incluiriam a AIEA assumindo a custódia do material nuclear iraniano como parte do acordo para a troca, um pacto de abastecimento e apoio técnico da AIEA para que o reator nuclear do Irã que produz isótopos médicos opere de maneira segura.

Os diplomatas disseram que a carta foi entregue à imprensa para refutar as declarações de uma autoridade iraniana de que as potências ofereceram um novo acordo para o Irã.

De pé

em uma entrevista a jornalistas, Ahmadinejad disse nesta terça-feira que Teerã ainda discute a proposta das potências para o enriquecimento do urânio iraniano em solo exterior e que o assunto ainda não está encerrado.

"Há algumas conversas em andamento sobre a troca de combustível nuclear", disse Ahmadinejad, sem dar maiores detalhes. "Este caso ainda não está fechado. Nós já anunciamos que estamos prontos para uma troca de combustível dentro de condições justas".

Ahmadinejad disse ainda que a troca pode ocorrer até mesmo com os Estados Unidos, país que considera inimigo da República Islâmica.

Segundo o presidente, o país prefere enviar o urânio para exterior em vez de enriquecê-lo em casa, mas não encontra "boa vontade" para tal. "Nós dissemos a eles que se eles não providenciarem o combustível a tempo, começaríamos a produzir dentro [do Irã]", explicou o presidente.

"E até agora, se eles nos derem o combustível necessário, as condições serão mudadas", completou Ahmadinejad, em um discurso que não deve mudar a disposição americana a novas sanções.

Rússia

A carta foi recebida como mais um sinal do endurecimento da posição russa em relação ao programa nuclear iraniano.

A Rússia declarou nesta terça-feira que não mudou sua postura em relação a uma nova rodada de sanções contra os avanços do programa nuclear iraniano, mas deixou uma abertura ao admitir que medidas punitivas não devem ser excluídas caso Teerã não cumpra suas obrigações.

O seu apoio é essencial para que uma nova sanção contra o programa nuclear iraniano seja aprovada no Conselho de Segurança da ONU --como defendem os EUA.

Para tal, são necessários nove dos 15 votos do Conselho de Segurança e nenhum veto dos cinco membros permanentes --EUA, China, Rússia, Reino Unido e França.

A França deu apoio declarada às sanções. A Alemanha também citou a ameaça de sanções, enquanto o Reino Unido disse que os novos planos do Irã violam resoluções da ONU e que está preocupado com o anúncio.

Já a China defende firmemente a continuação do diálogo nuclear.

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