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EUA permitiram exploração de petróleo sem licenças necessárias, diz jornal

EUA permitiram exploração de petróleo sem licenças necessárias, diz jornal

Atualizado: Sexta-feira, 14 Maio de 2010 as 9:21

O Serviço de Gerenciamento de Minerais dos Estados Unidos (MMS) teria dado permissão para a empresa britânica British Petroleum (BP) - responsável pela plataforma que afundou no golfo do México no dia 22 de abril - e outras dezenas de companhias para explorar petróleo na região sem todas as permissões necessárias, informou nesta sexta-feira (14) o jornal americano The New York Times.

De acordo com o diário americano, as permissões teriam sido dadas sem a aprovação de outra agência, que analisa os riscos da exploração submarina de petróleo às espécies que habitam a região do golfo do México. Essa agência, segundo o NYT, teria alertado sobre os impactos das perfurações à fauna e à flora da área.

O afundamento da plataforma Deepwater Horizon, no dia 22 de abril, dois dias após sua explosão, causou um dos maiores desastres ambientais da história dos Estados Unidos. As estimativas mais conservadoras apontam que até 800 mil litros de petróleo estão sendo jogados todos os dias no mar por causa do vazamento decorrente do acidente. O óleo chegou à costa sul do país e ameaça diversos Estados.

De acordo com cientistas do próprio MMS citados pelo NYT, a agência também ignorou repetidamente alertas de especialistas sobre os riscos de certas perfurações no golfo do México e no Estado americano do Alasca.

Os mesmos cientistas também dizem ao jornal que eram pressionados pela agência para modificar relatórios que indicassem riscos de possíveis acidentes ou de ameaça à vida selvagem na região das perfurações.

A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (Noaa, na sigla em inglês) é a responsável por analisar os riscos da exploração de petróleo à vida selvagem. A agência teria alertado em diversas ocasiões que as perfurações no golfo do México representam perigo aos animais da área. Ainda assim, de acordo com o NYT, o MMS autorizou, desde 2009, centenas de operações por várias empresas.

Kendra Barkoff, porta-voz do MMS, disse ao jornal americano que a agência fez todas as consultas ao Noaa sobre as espécies em risco na área do golfo do México, mas não comentou se o órgão obteve as permissões necessárias para aprovar a exploração.

A porta-voz admitiu, no entanto, que as análises de cientistas do MMS foram subestimadas. ''Na administração anterior, havia uma cultura de ignorar a ciência nas decisões, e nós estamos trabalhando muito para mudar isso e dar poder aos cientistas''.

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