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EUA reprovam saída imediata de Mubarak

EUA reprovam saída imediata de Mubarak

Atualizado: Quarta-feira, 9 Fevereiro de 2011 as 10:47

As várias agências do governo americano que tratam da questão do Egito chegaram a uma posição de consenso, pressionando por uma reforma gradual com o presidente Hosni Mubarak em um papel secundário. A diretriz, porém, vai contra a principal reivindicação dos manifestantes que há 15 dias protestam no Egito: a renúncia imediata e incondicional do presidente há 30 anos no poder.

Ontem o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, telefonou ao seu homólogo egípcio, Omar Suleiman, e defendeu que o estado de emergência seja suspenso imediatamente. Biden disse ainda que o "escopo" do diálogo com a oposição deve aumentar - referência ao fato de o diplomata e opositor Mohamed ElBaradei ter ficado de fora da rodada de negociação com Suleiman.

Até a semana passada, vozes nos EUA, como a secretária de Estado Hillary Clinton e o próprio presidente Barack Obama, pressionaram por uma transição rápida para o "pós-Mubarak". Mas, nas últimas declarações, a Casa Branca e o Departamento de Estado passaram a jogar seu peso em favor de uma reforma gradual - e provavelmente mais lenta - conduzida por Suleiman. Extraoficialmente, funcionários admitem que não há garantias de que Suleiman - general e ex-chefe do serviço de inteligência de Mubarak - esteja de fato comprometido com uma reforma democrática ampla.

No fim de semana, em Munique, Hillary afirmou que a saída imediata do presidente egípcio obrigaria o país árabe a realizar eleições dentro de 60 dias - prazo insuficiente para assegurar uma votação limpa e legítima. No mesmo evento, Frank Wisner, veterano da diplomacia americana e enviado da Casa Branca ao Cairo, chegou a afirmar publicamente que Mubarak "deve" ficar no poder até setembro.

A decisão de Suleiman de abrir um canal de diálogo direto com a oposição, incluindo a Irmandade Muçulmana, foi bem recebida nos EUA. Por outro lado, o vice-presidente disse em entrevista que não dialogaria com ElBaradei. Suleiman falou ainda em esperar florescer "uma cultura democrática", antes de conduzir eleições.    

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