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Evo Morales declara vitória na Bolívia

Evo Morales declara vitória na Bolívia

Atualizado: Segunda-feira, 5 Abril de 2010 as 12

O presidente boliviano Evo Morales declarou seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), vencedor em seis dos nove departamentos e três das dez prefeituras mais importantes em disputa nas eleições departamentais ocorridas neste domingo (4) no país.

Em entrevista coletiva, o presidente disse que o partido é o "único a ganhar seis eleições consecutivas com mais de 50% dos votos". Ao término do pleito, três pesquisas de boca de urna apontavam vitória do MAS em quatro dos nove departamentos (estados) do país. Os resultados oficiais do pleito devem sair dentro de 15 dias.

O governante insistiu em destacar o "grande salto" dado por seu partido no pleito departamental porque, segundo a informação com a qual conta, obteve triunfos nas governações de La Paz, Cochabamba, Chuquisaca, Oruro, Potosí e Pando.

Em nível de Prefeituras, o partido governamental triunfou em Cobija (Pando), Cochabamba e El Alto, um resultado destacado por Morales porque seu partido em 2004 não ganhou em nenhuma capital.

O líder também mostrou sua segurança em que o número global de prefeitos do MAS que ganharam em municípios intermediários e pequenos chegará a duas centenas de um total de 337, o dobro dos cem prefeitos que seu partido conseguiu nos pleitos locais anteriores.

Segundo as enquetes dos canais "Unitel" e "Rede Um", o MAS ganhou os governos de La Paz, Cochabamba, Oruro e Potosí, enquanto outra pesquisa, da rede "PAT", acrescenta o departamento sulino de Chuquisaca.

A oposição se manteria na chamada "meia lua", ou seja, nas regiões de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija, embora as diferenças percentuais em alguns casos sejam pequenas.

Uma quarta pesquisa, divulgada pela cadeia "ATB", amplia a vitória do MAS para seis departamentos, incluídos Chuquisaca e Tarija, além de de La Paz, Cochabamba, Oruro e Potosí.

A Corte Nacional Eleitoral (CNE) ainda não divulgou dados oficiais sobre a apuração da votação realizada hoje na Bolívia para escolher mais de 2,5 mil autoridades departamentais e municipais no país.

Os resultados oficiais do plebiscito serão conhecidos nos próximos 15 dias.

Governos autônomos

Os bolivianos votaram, neste domingo, nas primeiras eleições para governos autônomos, que definirão o novo mapa do poder regional com uma oposição dividida que tenta desmontar os planos do presidente, Evo Morales, de obter o controle absoluto dos 9 departamentos (estados) do país.

As mesas de votação funcionaram durante oito horas, das 08h00 às 16h00 locais (09h00 às 17h00 de Brasília), em um processo que transcorreu sem o registro de incidentes.

Cinco milhões de cidadãos, dos 10 milhões que formam a população da Bolívia, foram chamados a votar para eleger nove governadores, 144 deputados provinciais, 337 prefeitos, 1.887 vereadores, 23 autoridades indígenas locais, vice-governadores provinciais e corregedores, em uma intrincada votação.

Esta é a primeira votação da história boliviana a eleger governos autônomos - até agora, dependentes do poder Executivo -, amparados na nova Constituição, em vigor desde o ano passado, após sua aprovação em referendo.

Sem incidentes

O domingo transcorreu sem maiores incidentes, embora o ministro do Interior, Sacha Llorenti, tenha reportado o fechamento arbitrário da fronteira com a Argentina pelas autoridades do departamento de Tarija, opositoras ao governo, "violando direitos constitucionais".

As eleições na Bolívia abriram as discrepâncias entre o presidente Evo Morales e a oposição de direita, que se entrincheirou nos governos e prefeituras, principalmente nos departamentos de Santa Cruz, o mais rico da Bolívia, Tarija, Beni, Pando e Chuquisaca.

Nos cinco departamentos, que respondem por cerca de 50% do PIB nacional, se concentraram as disputas entre oficialistas e opositores, pois a direita, embora dispersa, ainda é forte no âmbito local.

O complexo panorama polarizado que previsivelmente sairá das urnas foi reconhecido pelo vice-presidente, Alvaro García, para quem tal cenário prevaleceria nas regiões, com votos divididos entre o oficialismo e a oposição.

As eleições serão definidas por maioria simples e só a votação para governador na região de Santa Cruz, de acordo com a norma deste departamento, irá para o segundo turno em um prazo de 30 a 45 dias, se nenhum dos candidatos obtiver 50% mais 1 dos votos.

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