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Ex-preso político cubano diz que dissidentes dividiam celas com ratos e baratas

Ex-preso político cubano diz que dissidentes dividiam celas com ratos e baratas

Atualizado: Quinta-feira, 15 Julho de 2010 as 2:49

Membros do grupo de ex-presos políticos cubanos que chegaram nesta semana à Espanha afirmaram que as celas onde estavam detidos em Cuba continham ratos e baratas e a infestação de doenças era descontrolada.

Julio Desar Galvez disse aos repórteres numa coletiva de imprensa nesta quinta-feira que "a situação de saúde e higiene nas prisões em toda a ilha de Cuba não é terrível, é mais do que terrível",

Ele disse que os presos viviam "com ratos, baratas e excrementos" e que havia surtos frequentes de dengue e tuberculose na prisão.

O jornalista de 66 anos que cumpria sentença de 15 anos de prisão é um dos nove presos políticos libertados por Cuba, parte de um grupo de 52 ativistas que serão gradualmente libertados pelo regime comunista.

LIBERTAÇÃO

Galvez faz parte do primeiro grupo, com sete dissidentes, a serem libertados após um acordo entre Cuba, a Igreja Católica e a Espanha.

Os ex-prisioneiros chegam junto a familiares para viver em exílio na Espanha. Segundo o governo espanhol, eles são livres para seguir, se quiserem, para outros países. Chile e Estados Unidos já teriam oferecido asilo.

Esta é a maior libertação de presos políticos desde que o presidente Raúl Castro assumiu o poder, em fevereiro de 2008, das mãos de seu irmão Fidel Castro. O ex-ditador liberou 101 presos políticos pouco depois da visita histórica do papa João Paulo 2º à ilha, em 1998.

Os 52 homens estavam entre 75 dissidentes políticos presos na Primavera Negra de 2003, em uma ação enérgica do governo cubano contra os opositores que prejudicou suas relações diplomáticas. Eles cumprem penas que variam de 13 a 24 anos de prisão por violar as leis cubanas destinadas a conter a oposição, e o que o governo chama de atividades subversivas.

Antonio Villareal

Villareal foi coletor assinaturas para o Projeto Varela pela democracia, em Santa Clara. Sentenciado a 15 anos de prisão, começou uma greve de fome junto a outros cinco prisioneiros na prisão de Boniato. O projeto recolheu milhares de assinaturas de eleitores cubanos que querem um referendo sobre direitos civis como liberdade de imprensa, assembleia, expressão e propriedade privada. O documento foi entregue ao Parlamento cubano, que arquivou a proposta.

Jose Luis Garcia Paneque

Um cirurgião plástico de Las Tunas, Paneque foi sentenciado a 24 anos de prisão. Ele era membro da não oficial Associação Médica Cubana Independente. Ele também se envolveu com o jornalismo dissidente.

Julio Cesar Galvez Rodriguez

Jornalista de Havana, Rodriguez foi sentenciado a 15 anos de prisão. Foi demitido em 2001 de duas rádios oficiais por colaborar com o movimento dissidente Cuba Free Press.

Lester Gonzalez

Jornalista independente de Santa Clara, é o mais novo dos 75 prisioneiros da Primavera Negra cubana. Membro do Movimento de Direitos Humanos pela Razão, Verdade e Liberdade, ele foi sentenciado a uma pena de 20 anos de prisão. Deste então, sofreu inúmeros problemas de saúde --incluindo uma operação de hérnia em 2008 e crise de ansiedade por ter sido separado da filha.

Normando Hernández González

Escritor e jornalista independente. González é diretor do Colégio de Jornalistas Independentes de Camagüey. Ele preso em 18 de março de 2003 e condenado condenado a 25 anos de prisão por relatar as condições dos serviços gerenciados pelo governo e por criticar o método como Havana gerencia áreas como turismo, agricultura, pesca e cultura.

Segundo o centro americano da ONG Pen, que reúne escritores, González sofreu vários problemas de saúde durante os anos em que passou na prisão. Em outubro de 2009, ele foi internado por atrofia do ventrículo esquerdo do coração e pólipos. Desde então, afirma o site, a família pode visitá-lo a cada seis semanas.

Omar Rodríguez

Omar Rodríguez Saludes é diretor da agência de notícias independente Nueva Prensa Cubana, com sede em Havana. Ele foi preso na noite de 18 de março de 2003 e condenado a 27 anos de prisão por "agir contra a independência ou integridade territorial do Estado" --a pena mais longa entre os 29 jornalistas presos na Primavera Negra daquele ano.

Rodríguez escrevia sobre a repressão política sobre o regime de Fidel Castro e sofreu, durante os anos na prisão, de problemas de rim e hipertensão.

Omar Ruiz

Outro jornalista independente de Santa Clara, trabalha para um grupo não reconhecido pelo governo cubano. Sites de oposição dizem que ele é filho de um pastor evangélico. Com mais de 60 anos, foi sentenciado a 18 anos de prisão. Sofre de problema de próstata e pressão alta.

Pablo Pacheco Avila

Avila é membro da Cooperativa de Jornalistas Independentes de Ciego de Avila. Ele foi sentenciado a 20 anos de prisão.

Ricardo Gonzalez Alfonso

Jornalista independente de Havana, trabalhou para a ONG Repórteres Sem Fronteiras. Foi sentenciado a 20 anos de prisão, sob preocupação de sua família pelo estado de saúde.

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