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Executivo de Obama é ameaça para 75% dos americanos

Executivo de Obama é ameaça para 75% dos americanos

Atualizado: Terça-feira, 20 Abril de 2010 as 12

O Centro de Pesquisa Pew publicou, ontem, os resultados de uma sondagem segundo os quais 75% dos americanos inquiridos sentem que o Governo federal é para eles uma "ameaça" enquanto 80% afirmam não ter confiança em Washington. Este resultado, um dos mais baixos em 50 anos, causou alguma surpresa no Pew, cujos técnicos sentiram a necessidade de repetir a pesquisa para ter a certeza de que não havia engano.

O mesmo estudo revela que 22% dos inquiridos confiam "quase sempre ou a maior parte das vezes" no Governo e instituições, enquanto 19% estão "basicamente satisfeito" com Washington.

Três questões foram colocadas a um universo de 2505 pessoas: se estavam satisfeitas, frustradas ou zangadas com o Governo federal, de Barack Obama. E três em cada quatro afirmaram-se frustradas ou zangadas, enquanto uma em cada três afirma que o Governo é a "maior ameaça" à sua liberdade.

Andrew Kohut, director do Centro, explicou existirem as condições perfeitas para esta hostilidade: economia em mau estado, reacção ao partidarismo em Washington e profundo descontentamento com o Congresso e os eleitos durante o debate da saúde. Os vários departamentos são também alvo de críticas dos cidadãos.

"A reforma da saúde contribuiu, no segundo semestre do ano passado, para este aumento da preocupação com o poder do Governo", disse Kohut . E sublinhou: "O público quer um governo menos interventivo."

Os resultados desta sondagem contrastam profundamente com o primeiro estudo de opinião feito pelo Centro Pew: foi em 1958 e, então, 73% dos americanos afirmavam confiar no seu Executivo.

Para alguns analistas, como Derek Thompson, a desconfiança dos americanos face ao governo federal é uma questão "estrutural". Prende-se com a cultura dos americanos que, amantes da sua liberdade, recusam a intervenção do Estado. Ora tendo em conta que as administrações democratas são, normalmente, mais interventivas na vida do país, não surpreende - como sublinha Kohut - que registem um índice menor de confiança por parte dos cidadãos. Os recordes de desconfiança foram registados no tempo dos presidentes Jimmy Carter e Bill Clinton e, ainda mais, no do republicano George W. Bush.

Antes da chegada de Obama ao poder, sublinha Andrew Kohut, as pessoas estavam bastante divididas quanto ao tamanho de governo que o país precisava: 42% queriam um governo pequeno e 43% desejavam um maior governo. Agora, 50% querem um Executivo pequeno e pouco interventivo e 39% desejam-no maior e fornecedor de mais serviços.

Kohut, ao sintetizar o estudo de 140 páginas, explica que o intenso sentimento anti-Governo se concentra entre os republicanos, independentes e outros que alinham com os republicanos ou a eles estão ligados como é o caso do Tea Party - movimento conservador que recusa impostos.

O director do Centro Pew lança um alerta: face ao estudo, os democratas vão sair penalizados das eleições intercalares.

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