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Exército tenta apartar manifestantes no Cairo, e premiê propõe diálogo

Exército tenta apartar manifestantes no Cairo, e premiê propõe diálogo

Atualizado: Quinta-feira, 3 Fevereiro de 2011 as 4:04

Militares fizeram disparos para o alto nesta quinta-feira (3) na região da Praça Tahrir, no centro do Cairo, em uma tentativa de separar os manifestantes favoráveis e contrários ao presidente Hosni Mubarak, que continuavam a se enfrentar em meio à crise política que paralisa o país.

Os dois grupos voltaram a jogar pedras um no outro, em uma rua próxima à Praça Tahrir, foco dos protestos dos últimos dez dias.

O premiê egípcio,  Ahmed Shafiz, se colocou à disposição para ir à praça e dialogar com os populares, que pedem a saída imediata de Mubarak do poder. Ele disse que manteve contatos com o grupo de jovens pró-democracia, que está na praça, durante a madrugada.   Mas o grupo rejeitou a oferta, reafirmando que não pretende negociar com o regime enquanto Hosni Mubarak ainda for o presidente.

Mais cedo, a oposição havia desmentido uma versão da TV estatal de que um diálogo político havia sido iniciado. Os oposicionistas insistem em que só vão negociar depois que Mubarak, há 30 anos no poder, deixar o cargo.

"Nossa decisão é clara: não haverá negociações com o governo antes que Mubarak saia. Depois disto, estaremos prontos para dialogar com (o vice-presidente, Omar) Suleiman", declarou Mohammed Abul Ghar, porta-voz da Coalizão Nacional pela Mudança.

O prazo dado pelos oposicionistas é esta sexta-feira (4), batizada de "Dia da Partida".     Os confrontos seguiam apesar de o Exército ter criado uma "zona neutra", de cerca de 80 metros, próximo à praça, para tentar isolar os grupos rivais. Os favoráveis ao governo chegaram a invadir a área isolada, mas tanques os forçaram a retroceder.

O Ministro da Saúde disse na TV estatal que cinco pessoas morreram desde a véspera vítimas da violência na região da praça, centro dos protestos pela queda do regime de 30 anos. Foram levadas aos hospitais 836 pessoas, das quais 86 continuavam internadas, disse Ahmed Samih Farid.

Desde o início dos protestos, que já duram dez dias, pelo menos 100 pessoas morreram, mas, segundo a ONU, esse número pode chegar a 300. De acordo com a TV Al Jazeera, o número de feridos teria passado de 1.500. Não há cifras oficiais, e os números são frequentemente contraditórios.

No início da noite de quarta, o vice Suleiman reforçou o pedido do Exército para que a população obedecesse ao toque de recolher e voltasse para a casa.     Mas, durante a madrugada, tiros esporádicos foram ouvidos no centro do Cairo.

Eles pareciam vir da Ponte de Outubro, onde permaneciam posicionados os partidários de Mubarak.

Os manifestantes também colocaram fogo em diversos pontos da praça, usando bombas incendiárias.

Os antigovernistas afirmaram na quinta que detiveram e identificaram 120 manifestantes pró-Mubarak, e que eles seriam, em sua maioria, ligados às forças de segurança e ao partido governista. Na véspera, o Ministério do Interior havia negado que o governo tenha instigado os protestos.

Repercussão

Vários lideres internacionais, Barack Obama à frente, pediram ao contestado Mubarak que comece já a transmitir o poder. Mas a chancelaria do Egito rejeitou o apelo, afirmando que seu objetivo é "inflamar a situação interna do Egito".

Na terça-feira, Mubarak havia anunciado que não tentaria sua quinta reeleição e deixaria o governo em setembro, após um período de "transição suave" de poder.

O acesso à internet, que havia sido cortado no país em 28 de janeiro, voltou parcialmente nas cidades do Cairo e de Alexandria, segundo usuários.

O corte, protagonizado pelo governo para tentar dificultar a organização dos protestos, gerou críticas da comunidade internacional.    

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