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Falta de meta de EUA e China para corte de emissões é um "desastre", diz Minc

Falta de meta de EUA e China para corte de emissões é um "desastre", diz Minc

Atualizado: Terça-feira, 17 Novembro de 2009 as 12

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, classificou nesta segunda-feira (16) de ?desastre? a falta de metas dos Estados Unidos e da China para a redução nas emissões de gases do efeito estufa. ?O problema é sério. Os dois maiores emissores do mundo dizem que não vão levar número para Copenhague. Isso é um desastre, não vamos minimizar isso. É um desastre, uma frustração'', disse, durante reunião do Conselho Político do governo.

Entre os dias 7 e 18 de dezembro, representantes de 193 países estarão reunidos em Copenhague (Dinamarca) para tentar chegar a um novo acordo sobre a redução das emissões de gases do efeito estufa. O novo acordo, se houver, substituirá o Protocolo de Kyoto, que deixa de vigorar em 2013.

O ministro do Meio Ambiente comemorou a decisão do governo brasileiro de definir metas claras para Copenhague. Na avaliação de Minc, a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representou uma ruptura de paradigmas em relação à responsabilidade dos países com a redução dos gases estufa.

Na sexta-feira passada (13), o governo brasileiro anunciou uma ''meta voluntária'' de redução dos gases de efeito estuda entre 36,1% a 38,9% até 2020 em relação ao que poluiria se nada fosse feito para conter as emissões.

''O Brasil rompeu o paradigma de que os países em desenvolvimento não dariam um passo [para reduzir as emissões] enquanto os maiores emissores não dessem esse passo. O Brasil deu um bom passo, só que os dois maiores emissores deram um péssimo passo. Temos que fazer uma mobilização com a opinião pública mundial para reverter esse quadro'', avaliou.

Segundo Minc, China e Estados Unidos representam 25% das emissões do planeta. Para salvar a conferência na Dinamarca, ele pregou o diálogo com outros países, como África do Sul, México e o conjunto de nações da União Europeia, como forma de pressionar China e Estados Unidos a adorem posições mais claras em relação aos compromissos com o clima.

Se o governo norte-americano confirmar a posição conservadora em relação às metas, Minc avalia que o presidente Barack Obama pode sofrer um sério desgaste a sua imagem. ''Obama se agarrou aos problemas do Senado norte-americano e ao atraso chinês para justificar a posição de não apresentar metas. O prêmio Nobel conquistado por Barack Obama pode virar um antiprêmio.''

Presente na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, também fez críticas à postura de China e Estados Unidos. Para ele, países tão diretamente envolvidos e responsáveis pelos poluentes não podem ignorar a apresentação de metas.

Stephanes defende uma mobilização de entidades e movimentos ambientalistas para pressionar os dois países. ''O Greenpeace não tem que fazer protesto aqui. Tem que fazer protesto nos EUA e na China'', disse.

Para o ministro da Agricultura, as metas estipuladas pelo governo brasileiro não vão comprometer o setor. ''Ao contrário, vão ajudar a agricultura'', afirma Stephanes, lembrando que o governo já está implementando um conjunto de políticas que pretende incentivar a manutenção da floresta e o plantio adequado no país.

Efeitos do aquecimento

Projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) apontam que se as emissões continuarem a subir no ritmo atual e chegarem ao dobro do nível da época anterior à industrialização, haverá um aumento médio de temperatura de 3 graus centígrados neste século, o que pode causar sérios impactos no planeta.

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