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Família palestina protesta acampada em calçada de Jerusalém Oriental

Família palestina protesta acampada em calçada de Jerusalém Oriental

Atualizado: Quinta-feira, 18 Março de 2010 as 12

"Moramos nesta casa por 56 anos. Quem tem o direito de me expulsar daqui e colocar outras pessoas nela?". O desabafo de Maysoun Ghawi reflete o drama de outros palestinos que foram despejados, no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental. Ela e a família tiveram que deixar o imóvel, que foi imediatamente ocupado por colonos israelenses, depois de perder uma longa batalha judicial, em 2009. Há cerca de seis meses, Ghawi protesta acampando todos os dias em frente à antiga casa.

"Passo o dia inteiro na tenda com os meus filhos, chego cedo e só vou embora à noite", diz Ghawi. Na rua, ela precisa lutar também pela tenda, que já foi retirada diversas vezes pelas autoridades israelenses.

As disputas pelas casas de Jerusalém Oriental começaram após a ocupação do bairro por parte de Israel, em 1967, quando israelenses apresentaram documentos para provar que diversas propriedades pertenciam a famílias judias, antes de 1948, ano do estabelecimento do Estado judeu. Em 1972, um tribunal israelense determinou que as propriedades pertenciam aos judeus.

As famílias palestinas residentes poderiam permanecer, caso aceitassem pagar aluguel aos proprietários originais. A maioria rejeitou a resolução e começou uma batalha judicial para comprovar a propriedade dos imóveis. Nos últimos anos, os palestinos esgotaram todas as opções legais. Com isso, começaram os despejos.

A Autoridade Palestina forneceu abrigo, em outro bairro de Jerusalém, durante um ano para as famílias, como a de Maysoun Ghawi, até que eles encontrem uma solução. “A casa que estou é temporária, não tem o valor da minha casa, porque minha casa é inestimável. Vim apenas por causa do clima, para abrigar os meus filhos no inverno”, conta Ghawi.

Para o advogado israelense Samuel Shamir, a decisão foi tomada com base em documentos que comprovam a posse dos judeus. “A decisão da Corte, para minha grande satisfação, foi feita com base na lei e não em nenhum interesse político”, afirma.

Outros advogados discordam. “A lei é incoerente. É legal para os judeus reaver propriedades no leste de Jerusalém, mas é ilegal para os palestinos reaver propriedades no oeste de Jerusalém. Isso significa que a lei não é a mesma na tarefa de determinar como israelenses e palestinos devem viver em Jerusalém”, critica o advogado israelense Danny Seidemann.

Apesar das dificuldades, Maysoun Ghawi tenta ser otimista. “Uma pessoa precisa de esperança. Mesmo que seja muito pequena. Mas é isso que ela precisa, para ela e seus filhos. Segurança, estabilidade, sonhos, lembranças. Tudo mesmo”.

Por: Reem Makhoul e Isabel Kershner

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