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Farc liberta dois reféns em missão com participação do Brasil

Farc liberta dois reféns em missão com participação do Brasil

Atualizado: Sábado, 12 Fevereiro de 2011 as 9:39

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) libertaram nesta sexta-feira o vereador Armando Acuña e o marinheiro Henry Lopez Martinez, entregues a uma missão humanitária que contou com a participação da ex-senadora Piedad Córdoba, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha e o Brasil.

Equipe comemora o resgate do vereador José Armando Acuña, segundo a ser libertado pelas Farc nesta semana

Os dois fazem parte de um grupo de reféns capturados entre 2007 e 2010. O vereador Marcos Vaquero foi libertado na tarde desta quarta-feira (9). No domingo, as Farc devem libertar o major da polícia Guillermo Solórzano e o cabo do Exército Salín Sanmiguel.

Acuña, vereador da província de Huila, foi sequestrado em 2009 em um ataque de rebeldes que se disfarçavam de tropas. Lopez foi capturado em 2010, depois de combates que mataram outros nove marinheiros.

CRÍTICAS DE SANTOS Nesta quinta-feira, um dia após o resgate bem sucedido do vereador Marcos Vaquero, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, criticou as Farc, que sequestraram dois trabalhadores em meio às operações de libertação de cinco reféns nesta semana, e disse que chegou a pensar em cancelar a missão de resgate, que conta com ajuda do governo brasileiro.

Santos disse que a guerrilha trabalha com uma "dupla moral". "Estive tentado a suspender as libertações dos sequestrados porque é totalmente inaceitável que as Farc, de um lado, estejam libertando reféns como um gesto de generosidade e do outro, capturem mais pessoas. Isto é totalmente inaceitável", afirmou.

"Exigimos a liberdade de todos os sequestrados e rejeitamos esta dupla moral: por um lado, libertando com estardalhaço e, por outro lado, continuando a sequestrar", acrescentou.

VAQUERO O vereador Marcos Vaquero, libertado na tarde desta quarta-feira (9) revelou detalhes dos 19 meses em poder da guerrilha em sua primeira entrevista coletiva após a saída da selva colombiana numa operação com a ajuda do governo brasileiro.

Em suas primeiras declarações Vaquero anunciou que iniciará uma campanha para pedir à guerrilha que liberte todos os sequestrados e indicou que passou grande parte do tempo na companhia de apenas um gato enquanto esteve no cativeiro.

"Foi meu companheiro de cativeiro, com ele eu falava; o mais difícil é não ter com quem conversar, não ter acesso sequer a alguém para me escutar. Isso é muito triste, muito doloroso, muito tortuoso", manifestou sobre sua dramática experiência. Ele explicou que "caminhou muito" nos dias prévios a sua entrega e que sentiu "uma imensa alegria" ao reencontrar-se com sua família e ver seus filhos, de dez e dois anos.

O filho mais novo estava com apenas cinco meses quando o vereador foi sequestrado.

"É muito triste, duro". "Vamos fazer uma manifestação para exigir das Farc que libertem estas pessoas, para que libertem os detidos, é muito duro, doloroso e triste, pessoas que estão na selva e que não têm notícias de suas famílias".

Além disso, confessou ter corrido perigos: "às vezes passavam aviões (...), atiravam nos locais onde estávamos dormindo e começávamos a caminhar", garantiu, e confirmou que não sofreu de problemas de saúde durante seu cativeiro.  

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