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Farc libertam refém com ajuda do Brasil

Farc libertam refém com ajuda do Brasil

Atualizado: Segunda-feira, 29 Março de 2010 as 12

Após quase um ano no cativeiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o soldado Josué Daniel Calvo, 23 anos, pôde ontem curtir a liberdade mais uma vez. Ele foi solto graças a uma decisão unilateral da guerrilha, em uma operação intermediada pela senadora colombiana Piedad Córdoba e com a participação de dois helicópteros militares cedidos pelo Brasil.

As Farc haviam dito que Calvo - capturado em 20 de abril de 2009 no departamento de Meta - estava sofrendo de uma doença desconhecida e que não podia caminhar, mas o soldado desceu do helicóptero andando sozinho e foi abraçado por seu pai e irmã. Usando uma camiseta azul, calças pretas e um par de tênis, ele se dirigiu para um hangar do aeroporto de Villavicencio sem dar qualquer declaração, mas saudou os repórteres levando a mão ao coração. Piedad disse que Calvo estava emocionado e sentiu tontura durante o voo, que o levou de um ponto não revelado na selva colombiana para Villavicencio, capital de Meta, cerca de 75 quilômetros a sudeste de Bogotá.

Ele é o primeiro refém das Farc a ser libertado unilateralmente desde o início de 2009, quando o grupo guerrilheiro esquerdista soltou dois políticos, três policiais e um soldado, alguns dos quais passaram mais de seis anos presos na selva. Entre hoje e amanhã, deve ser solto também o sargento Pablo Emilio Moncayo, 32 anos, sequestrado em dezembro de 1997 junto com o cabo Libio José Martínez Estrada. Os dois são os reféns mais antigos das Farc - mais de 12 anos.

Uribe admite possível troca de reféns por guerrilheiros

Após chegada de Calvo, Piedad, que já mediara missões do tipo e mantém uma conturbada relação com o governo Álvaro Uribe, denunciou sobrevoos de aeronaves não identificadas - supostamente do governo da Colômbia - nas cercanias do local da entrega do refém, de acordo com relatos que ouviu dos guerrilheiros.

- Essas coisas serão discutidas com o Alto Comissariado de Paz, para evitar que haja alguma notícia que possa paralisar a operação - disse.

As Farc haviam prometido entregar os restos mortais de Julián Ernesto Guevara, policial sequestrado em 1998 e que morreu no cativeiro, em janeiro de 2006, aos 41 anos. Ainda não se sabe ao certo, porém, se isso ocorrerá - alegando "problemas de movimentação", a guerrilha admitiu adiar a entrega.

Segundo Piedad, as Farc pretendem encerrar as libertações unilaterais com Moncayo e voltar a exigir que o governo troque rebeldes presos por 20 militares e políticos que continuam em seu poder - ideia que era rechaçada por Uribe. Ainda ontem, porém, o presidente colombiano acenou com a possibilidade de um acordo humanitário desse tipo, desde que "os guerrilheiros não voltem a cometer crimes".

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