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França se torna com acordos a grande parceira nuclear da Índia

França se torna com acordos a grande parceira nuclear da Índia

Atualizado: Segunda-feira, 6 Dezembro de 2010 as 10:38

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, fechou nesta segunda-feira (6) em Nova Déli acordos que colocam a França como um dos sócios preferenciais da Índia em matéria nuclear, a grande aposta energética do gigante asiático para sustentar seu crescimento econômico.

Cinco dos sete acordos assinados hoje pelas delegações reunidas na capital indiana são de cooperação nuclear, que os países confiam que será um setor que contribuirá para duplicar as trocas econômicas, até colocá-las em R$ 26 bilhões (12 bilhões de euros) no fim de 2012.

A francesa Areva e a Corporação de Energia Nuclear da Índia assinaram dois dos acordos, que definem as bases para a construção de dois reatores de tecnologia francesa na futura planta de Jaitapur, em Maharashtra (oeste).Os outros três são relativos a aspectos como a segurança, pesquisa e o manejo de resíduos nucleares, explicou o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, em sua entrevista coletiva com Sarkozy.

Singh disse que ainda não foi divulgada uma data da construção, pois ficam "aspectos técnicos, incluídos os preços, sujeitos a negociações.

Singh destacou que os dois reatores vão gerar 10 mil megawatts de eletricidade frente aos 4.000 megawatts de energia nuclear que a Índia produz atualmente.

O governo indiano apostou pela energia "limpa" nuclear para superar o déficit energético do país e manter seu crescimento econômico, que no primeiro semestre deste ano fiscal foi de 8,9%.

Sarkozy apreciou a "escolha indiana de confiar na tecnologia nuclear francesa" e disse que os acordos desta são "muito favoráveis" para a indústria de seu país.

França e Índia já haviam assinado pacto de cooperação nuclear

A França e a Índia assinaram um pacto de cooperação nuclear em setembro de 2008. Os acordos assinados hoje são o primeiro resultado material do tratado.

A Índia, que possui arma atômica e não assinou os tratados de não-proliferação (TNP) e Proibição de Testes Nucleares (CTBT), saiu assim de décadas de exclusão do mercado atômico internacional, em troca de um acordo de salvaguardas com a AIEA pelo que permitirá inspeções em suas plantas civis.Sarkozy disse que a França "fez a escolha estratégica de acreditar na Índia" e pediu seu "lugar legítimo" como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, assim como um posto em fóruns nucleares como o NSG.

No comunicado conjunto emitido após a reunião, ambos governantes avaliaram o diálogo entre os estados nucleares, "em particular aqueles que possuem os arsenais maiores, para construir confiança" e promover a paz mundial.

Além dos acordos nucleares, os países assinaram um tratado de co-produção cinematográfica e outro de cooperação em matéria de ciência e mudança climática.    

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