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GM demitirá 21 mil e pede que credores se tornem acionistas; papéis disparam

GM demitirá 21 mil e pede que credores se tornem acionistas; papéis disparam

Atualizado: Segunda-feira, 27 Abril de 2009 as 12

A General Motors anunciou nesta segunda-feira, 27 de abril,que, até 2010, fechará 13 de suas 47 fábricas nos Estados Unidos, demitirá 21 mil trabalhadores e reduzirá o número de concessionárias no país de 6.246 para 3.605. A companhia ainda fez uma oferta aos seus credores que, na prática, equivale a pedir que eles perdoem parte da dívida da empresa e, em troca, se tornem acionistas.

As ações da GM disparavam 25,44% por volta das 13h, cotadas a US$ 2,12. No mesmo horário, o índice Dow Jones, referência da Bolsa de Valores de Nova York, subia 0,43%.

A proposta aos credores consiste em lhes dar 225 ações ordinárias (que dão direito a voto) para cada US$ 1.000 que eles teriam de receber da empresa. No total, a companhia quer eliminar US$ 27 bilhões em dívidas.

A troca se dará apenas se 90% dos detentores de títulos (credores) aceitarem os termos da operação. Pelo plano, se a GM não conseguir a participação adequada, terá de pedir concordata.

"Para a GM, é uma boa. Ela deixa de ter uma dívida e melhora sua saúde financeira", avalia Keyler Rocha, professor de finanças da Universidade de São Paulo (USP). "A empresa está se capitalizando."

Ao ameaçar pedir concordata, a companhia pressiona os credores a aceitar a oferta, segundo Rocha. "O credor, em vez de ter um valor a receber, vai ter ações que poderão ser vendidas em Bolsa; se ele não aceitar, a empresa vai entrar em concordata, e então o credor não vai receber do mesmo jeito."

A empresa tem o prazo de 1º de junho dado pelo governo federal americano para reestruturar-se profundamente ou ir em busca de proteção sob o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos, o equivalente à recuperação judicial pela legislação brasileira (a antiga concordata).

Cortes

Conforme as linhas expostas nesta segunda-feira, o nível de empregados nos Estados Unidos deve cair de 61 mil em 2008 para 40 mil em 2010, o que implica uma redução de 34%.

A meta inicial era ter 46,8 mil postos de trabalho no próximo calendário. Esse corte mais profundo, segundo a GM, decorre de discussões sobre eficiência operacional e fechamento de plantas, entre outros fatores.

O Plano de Viabilidade da montadora contempla uma redução dos custos trabalhistas nos EUA de US$ 7,6 bilhões em 2008 para US$ 5 bilhões em 2010.

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