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Governo brasileiro busca integração econômica com o Suriname

Governo brasileiro busca integração econômica com o Suriname

Atualizado: Terça-feira, 29 Dezembro de 2009 as 12

Apesar do recente episódio de violência envolvendo brasileiros no Suriname, Brasília aposta que as relações com o país vizinho tendem a aumentar e diz que o caso é ''pontual''.

O governo do Brasil destaca que a relação econômica com o Suriname é ''muito pequena'', a exportação daquele país é pouco expressiva, mas acredita que os projetos de integração econômica com o Suriname devem se intensificar nos próximos anos, já que aquele país busca alternativas para o desenvolvimento e vê no Brasil um parceiro estratégico.

Em 2010, o Suriname deixará de receber uma espécie de mesada do governo holandês - ajuda financeira dada desde a independência. Para Brasília, um sinal da aproximação foi o recente pagamento de uma dívida antiga com o Brasil.

Um dos projetos que devem integrar os dois países é a construção de um novo canal de escoamento da produção brasileira no Atlântico, que irá do interior do Pará até o Suriname.

Ao governo brasileiro interessa a alternativa de escoamento; ao Suriname, a integração econômica. A economia do Suriname é dominada pela indústria mineradora e as exportações de alumínio, ouro e petróleo representam cerca de 85% das exportações nacionais. O PIB per capita é de cerca de US$ 8,9 mil.

A presença brasileira no Suriname não é expressiva nem numericamente nem economicamente. A comunidade é estimada em 15 mil, cerca de 3% do total da população. A maioria dos brasileiros que moram naquele país trabalha em garimpos e com a prestação de serviços, ganham pouco e vieram da regiões Norte e Nordeste, com destaque para os Estados do Pará e Maranhão.

A ilegalidade marca as relações de trabalho e o trabalho é agenciado já no Brasil, segundo o pastor Helvio Carneiro da Rosa, brasileiro que mora no Suriname e transporta brasileiros no país.

A imigração para o Suriname intensificou-se nos anos 80, com o grande fluxo de mineração no Pará, em Serra Pelada e em Carajás. No fim daquela década, com a decadência da mineração no Pará, muitos brasileiros cruzaram a fronteira e foram para garimpos surinameses.

As tensões entre os quilombolas do Suriname e brasileiros são permanentes, mas segundo o Itamaraty nunca foi registrado nenhum episódio semelhante naquele país. No dia 24, o acampamento em que brasileiros e chineses viviam em Albina foi invadido por descendentes de quilombolas após o assassinato de um surinamês por um brasileiro.

''Eles acham que são donos daqui e que podem humilhar os brasileiros'', relatou ontem a brasileira Jane Azeredo, que vive no Suriname há 15 anos. Na véspera do Natal, cerca de 200 garimpeiros, entre brasileiros e chineses, foram atacados na região da cidade de Albina, a 150 quilômetros da capital do Suriname.

O governo brasileiro afirma que não há nenhum registro de morte, apesar de o padre brasileiro José Vergílio, que vive no Suriname há oito anos, afirmar que pelo menos sete pessoas foram mortas no episódio.

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