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Governo brasileiro considera positiva visita de Uribe para explicar acordo com Estados Unidos

Governo brasileiro considera positiva visita de Uribe para explicar acordo com Estados Unidos

Atualizado: Sexta-feira, 7 Agosto de 2009 as 12

O governo brasileiro interpretou ontem, 6 de agosto, como um "gesto positivo" a visita do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, a países sul-americanos para explicar os termos e os objetivos do acordo que prevê que os Estados Unidos passem a usar sete bases militares em território colombiano e aumentem seu efetivo militar neste país.

Depois de rápidas visitas ao Peru, à Bolívia, ao Chile, à Argentina, ao Paraguai e ao Uruguai, Uribe chegou hoje ao Brasil. Durante encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Uribe afirmou que o propósito do acordo é fortalecer o combate ao narcotráfico em território colombiano, ao qual estariam restritas às ações norte-americanas.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que acompanhou o encontro de mais de duas horas, a conversa entre Lula e Uribe transcorreu em um clima de "diálogo e de busca de entendimento das preocupações de parte a parte". "Nossas preocupações foram expressas e Uribe deu os esclarecimentos que achou que devia dar sobre os objetivos deste acordo com os Estados Unidos", explicou o ministro.

Mesmo Uribe garantindo que a maior presença de soldados norte-americanos na Colômbia não representa uma ameaça aos países vizinhos, o governo brasileiro sustenta a necessidade de maior transparência em relação ao acordo.

"Um acordo com os Estados Unidos, um acordo que seja específico e delimitado ao território colombiano, é uma matéria naturalmente da soberania colombiana, sempre que os dados gerais de que se disponha sejam compatíveis com a delimitação ao território colombiano", afirmou Amorim. "Além disso, também falamos sobre a cooperação bilateral no combate ao narcotráfico e da importância dos países da América do Sul também assumirem o combate ao narcotráfico sem ingerência externas", disse Ao ministro.

Para ele, o acordo ainda não está pronto e vai ser alvo de novas discussões, ampliadas. "Certamente, [o diálogo com os chefes de governo sul-americanos] vai ter continuidade de alguma forma. Esse é um processo que vai exigir outras consultas e conversas, não só com a Colômbia, mas também com os Estados Unidos."

Ainda segundo Amorim, Lula defendeu o Conselho Sul-Americano de Defesa como o foro ideal para discussão de temas polêmicos como o acordo entre a Colômbia e os Estados Unidos. "Justamente para permitir que certas questões possam ser respondidas com tranquilidade, em um clima de confiança e de maneira técnica. Lógico que não somos ingênuos e sabemos que muitas vezes isso não é uma coisa fácil".

Sucinto, ao deixar o Centro Cultural Banco do Brasil, onde o presidente Lula está despachando durante a reforma do Palácio do Planalto, Uribe se limitou a agradecer o "diálogo amplo com o presidente Lula e integrantes do governo".

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