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Governo "golpista" de Honduras demonstra "surdez" ao mundo, diz Amorim

Governo "golpista" de Honduras demonstra "surdez" ao mundo, diz Amorim

Atualizado: Terça-feira, 29 Setembro de 2009 as 12

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta segunda-feira, 28, que o governo golpista de Honduras demonstra um "estado de surdez" ao rejeitar a entrada da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) no país, para tentar uma solução negociada para a crise que se instalou após ao retorno clandestino do presidente deposto, Manuel Zelaya, a solo hondurenho. Zelaya está abrigado na embaixada brasileira no país.

Amorim informou que telefonou nesta segunda-feira para o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, para o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, e para a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton.

"Nas conversas, demonstrei preocupação em dois fatores importantes. O ultimato ou pseudoultimato dado pelo governo de fato em relação à presença diplomática do Brasil e também a recusa da missão precursora da OEA em Tegucigualpa. Os dois fatos são graves porque eles demonstram que há quase que um estado de surdez das autoridades de fato em relação ao que eu tenho dito à comunidade internacional. Há uma total falta de receptividade ao não receber uma missão precursora da OEA. Demonstra uma total negativa ao diálogo e à posição pacifica", disse Amorim.  

Amorim disse que pediu para a ONU um maior envolvimento com a questão, mas  ressaltou que isso não pode se sobrepor ao papel da OEA como negociadora. Ele negou ter pedido que uma missão da ONU vá até Honduras.

"Mencionei ao longo dessas conversas um maior envolvimento da ONU. Não é para diminuir o papel da OEA como interlocutor político. A forma desse maior envolvimento eu não posso dizer qual é. Mas uma missão da ONU não pode desautorizar a da OEA. Ela só pode ir para fortalecer a OEA", analisou.

Segundo ele, a rejeição da entrada de uma missão da OEA no país "foi uma bofetada" daqueles que detêm o poder contra a comunidade internacional. Amorim disse que recebeu informações de que os negociadores da OEA receberam sinais de que "uma nova janela" para a entrada da missão pode estar se abrindo.

Carta

O ministro disse ainda que a representação brasileira na ONU enviou nesta segunda-feira uma nova carta para a presidente do Conselho de Segurança, Susan Rice, informando as acusações feitas pelo governo golpista contra a missão diplomática.

A correspondência diz que mesmo após as manifestações do Conselho de Segurança "as autoridades de fato" deram declarações que "pioraram a situação no país" e ainda suspenderam "os direitos constitucionais" e "fecharam veículos de comunicação".

"Covardia"  

Amorim voltou a dizer que o Brasil não teve participação sobre a ida de Zelaya à embaixada brasileira, mas que não é possível abandonar a representação diplomática naquele país porque seria uma demonstração de "covardia" do Brasil.

"Seria muito fácil para nós retirarmos os dois diplomatas que estavam lá e o oficial administrativo. O problema de segurança do ponto de vista do Brasil terminaria. Mas nós não podemos fazer isso porque seria, primeiro, um gesto de covardia e, segundo, um gesto de desrespeito à própria democracia e um incentivo a outros golpes de estado, coisa que nós não podemos fazer", afirmou.

Postado por: Felipe Pinheiro

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