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Graziano diz que preços altos dos alimentos devem durar anos

Graziano diz que preços altos dos alimentos devem durar anos

Atualizado: Segunda-feira, 27 Junho de 2011 as 10:20

O novo diretor-geral da agência da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, afirmou nesta segunda-feira que os preços dos alimentos devem permanecer elevados por vários anos e causar problemas para países importadores.

"Este não é um desequilíbrio temporário [...] Até não alcançarmos uma situação financeira mundial mais estável, os preços das commodities vão refletir isso", disse ele a jornalistas.

Graziano quer que a FAO se envolva mais ajudando países importadores a lidar com a volatilidade dos preços de alimentos, que classificou como o "pior aumento" que ocorre nos mercados financeiros.

No primeiro discurso à frente da organização, Graziano afirmou que "a questão dos preços [dos alimentos] é uma das mais urgentes" à qual "devemos ter uma atenção particular", e disse, em referência aos funcionários da agência da ONU, que acabar com a fome não é um problema relativo apenas a suas famílias.

"A instabilidade das commodities é ainda o pior aumento que ocorre. [...] É preciso chegar a uma estabilização dos mercados financeiros internacionais, caso contrário haverá reflexos sobre as cotações das matérias-primas", disse.

O brasileiro condenou ainda o monopólio das multinacionais sobre as sementes, "que são um bem da humanidade", mas opinou que "a biotecnologia é uma ciência importante e não pode ser descartada a priori".

BIOCOMBUSTÍVEL

Ex-ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva e coordenador do Programa Fome Zero, o brasileiro citou o ex-presidente ao lembrar que ele comparava os biocombustíveis ao colesterol, pois em ambos "há os que são bons e os ruins".

"A cana de açúcar produzida, por exemplo, no Brasil para o etanol não entra em competição com a produção de grãos e não tem impactos ambientais", afirmou, argumentando que as plantações de cana no país estariam tão longe da floresta amazônica no Brasil como "o Vaticano do Kremlin".

VOTO

A escolha de Graziano foi decidida ontem na 37ª sessão da FAO, ocorrida em Roma, onde é sediada a agência.

Ele foi eleito com 92 votos dos 180 países-membro, no segundo turno da votação, quando enfrentou o ex-chanceler da Espanha Minguel Angel Moratinos, que recebeu 88 votos.

O G77, grupo de países não-alinhados, e a China votaram no brasileiro, enquanto as nações europeias e desenvolvidas votaram majoritariamente no espanhol.

Graziano, porém, disse não ter havido "nenhum 'qui pro quo'" em sua eleição. "Pretendo agir de forma transparente e democrática, recebendo a exigência de várias áreas para tentar conseguir um acordo mínimo para gerir de modo participativo esta organização", declarou.

Ele ressaltou que "depois das eleições, todos estão empenhados em apoiar esta organização, que deve ter um papel importante para enfrentar os novos desafios". "É importante ter a confiança dos países-membros para poder trabalhar bem", destacou.

O brasileiro defendeu ainda que é preciso "dar início a uma nova era para esta organização" e enfrentar "desafios importantes", como "continuar na reforma interna do organismo para superar as diferenças" --como os desacordos sobre a atividade normativa e a assistência técnica.

"É necessário reunir um mínimo de acordo", concluiu.

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