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Haiti precisa de ação governamental e projeto de desenvolvimento, defendem brasileiros no país

Haiti precisa de ação governamental e projeto de desenvolvimento, defendem brasileiros no país

Atualizado: Quarta-feira, 15 Outubro de 2008 as 12

Para além da ação da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), é necessário haver, agora, uma melhor atuação do poder público haitiano para que o clima de segurança gerado pelas tropas da ONU possa ser aproveitado em prol do desenvolvimento do país. É o que defende o comandante do batalhão brasileiro no Haiti, coronel Pedro Antonio Fioravante.

"A nossa missão aqui é manter um ambiente seguro e estável e isso nós estamos cumprindo; quem pode resolver o problema do Haiti são os próprios haitianos", afirmou o comandante, durante visita de uma comitiva do Ministério da Defesa a Porto Príncipe, capital haitiana.

"É importante que a Polícia Nacional do Haiti (PNH) se reestruture, para que depois que a tropa sair, ela possa atuar na segurança. E com relação ao problema da miséria, da fome, da falta de emprego, é o próprio haitiano que tem que resolver o problema por meio do seu governo, de uma estrutura democrática, que está sendo implantada", completou.

Nesta terça-feira, dia 14 de outubro, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu estender o mandato da Minustah até meados de outubro de 2009.

Para a embaixatriz brasileira no país caribenho, é necessário, também, que haja maior engajamento da população. "Quem sabe falte um pouco de garra, de 'eu vou fazer' e não 'vou esperar que alguém faça por mim', que é um sentimento também do haitiano, 'o governo resolverá ou alguém resolverá por mim'", disse.

De acordo com o representante especial adjunto do secretário-geral da ONU na missão (o segundo homem no comando da Minustah), o brasileiro Luiz Carlos da Costa, existe boa vontade por parte da comunidade internacional para a reconstrução do país e a reestruturação de suas instituições.

Em investimentos que são "praticamente doação", ele explicou, os Estados Unidos enviam anualmente US$ 268 milhões, o Canadá, mais de US$ 160 milhões. Em Cuba são disponibilizadas 800 bolsas para estudantes de medicina e enfermagem haitianos e foram enviados mais de 600 médicos cubanos para o Haiti.

No entanto, Costa afirmou que ainda falta apoio para projetos nacionais de investimentos, em vez de se tentar impor projetos feitos por outros países ou organizações internacionais.

"Muita gente fala da falta de capacidade de absorção no país, isso é um pouco de desculpa, no meu ponto de vista, da parte da comunidade internacional para impor os seus próprios projetos. É importante nós apoiarmos os projetos nacionais, a estratégia nacional de desenvolvimento do país e não uma visão bilateral de um país ou outro. Alguns doadores às vezes cometem esse pecado", disse.

Para ele, em paralelo à atuação das Nações Unidas no país, é importante que haja uma reativação urgente dos atores econômicos, com intervenções por parte das agências de desenvolvimento da ONU, do Banco Mundial e dos países doadores. "O nosso papel é possibilitar a criação de empregos para que eles, por meio da dignidade do emprego consigam [se desenvolver], eles têm que sair desse ciclo de dependência", acrescentou.

O brasileiro explicou que, depois da Minustah, haverá um envolvimento maior por parte de todo o sistema ONU para apoio a projetos de desenvolvimento dentro da estratégia nacional para possibilitar a concretização do plano nacional de desenvolvimento.

"A grande crise do Haiti também são fórmulas, estratégias distintas de todo mundo ter uma solução diferente para o problema do país, nós temos que aceitar a solução deles, se você não está de acordo, não financia, vai embora", concluiu.

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