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Haitianos usam arte para reagir ao terremoto

Haitianos usam arte para reagir ao terremoto

Atualizado: Quinta-feira, 11 Março de 2010 as 12

O terremoto de 12 de janeiro, que devastou o Haiti, teve grande impacto também na produção artística do país. Além da destruição de obras de arte, com o desabamento de prédios e escolas de artes plásticas, a tragédia passou a ser o tema mais comum, principalmente entre os músicos.

O prédio do Centre d’Art, na capital Porto Príncipe, já foi considerado o centro de cultura e arte do país, com milhares de pinturas e esculturas no acervo. Em ruínas desde o terremoto, os trabalhadores guardaram o que sobrou em dois contêineres. Henry Celestine, que trabalhava no local, lamenta as perdas. "Como pode ver, a maioria está em boas condições. Mas algumas ficaram danificadas, rasgadas".

Do outro lado da cidade, o diretor da Escola Nacional de Artes, Thurgot Theodat, também inspecionou os estragos. "Costumávamos ter dez, quinze alunos aqui, pintando, fazendo quadros", lembra. "A arte é a única coisa que os haitianos possuem. É a única coisa que tivemos durante anos. É a nossa arte que mantém nossa esperança de uma vida melhor de um amanhã. E acho que principalmente agora precisamos da arte para nos ajudar a sobreviver", completa.

Os trabalhos de pintores e escultores haitianos sempre tiveram boa aceitação nos Estados Unidos e na Europa. Mas em todo o país obras foram perdidas e artistas morreram ou ficaram feridos. Ainda assim, muitos buscam na arte forças para reagir, principalmente na música.

"Toco violão todos os dias para afastar o estresse. Isso me ajuda a esquecer o que está acontecendo. Isso é inacreditável. Nunca tinha visto nada assim", diz o músico Gaston Gaspen.

"Todo lugar de Porto Príncipe tem cheiro ruim. Pessoas mortas estão espalhando doenças. Estou pronto, quando você quiser, para derrubar o governo. Estou pronto, quando você quiser, para mudar os senadores. Estou pronto, quando você quiser, para derrubar os deputados. Estou pronto, quando você quiser, para começar a revolução", canta Pierre Guste.

"Muitos perderam suas casas e parentes. Precisamos de um tempo para uma recuperação. Depois tudo isso será uma grande fonte de inspiração para os artistas haitianos", acredita Theodat.

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