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Hamas impõe novas condições para reconciliação com o Fatah

Hamas impõe novas condições para reconciliação com o Fatah

Atualizado: Quinta-feira, 23 Fevereiro de 2012 as 8:36

O Hamas estabeleceu novas condições para implementar um acordo de reconciliação com a facção rival Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, reduzindo ainda mais as chances de um acordo concreto, segundo uma autoridade palestina nesta quinta-feira.

Acordo: Abbas presidirá governo de união entre Fatah e Hamas

No início do mês, Abbas e Khaled Meshaal, líder político do Hamas no exílio, concordaram em reunião no Catar em formar um governo de união liderado por Abbas, que conta com apoio do Ocidente, até as eleições na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

 

 

Abbas (dir.) conversa com o líder do Hamas Khaled Mashal, após encontro no Cairo, Egito (22/2)

Foto: AP

Em um racha com a liderança do grupo islâmico, porém, as autoridades do Hamas na Faixa de Gaza, que é governada pelo grupo, criticaram duramente o acordo, em especial a cláusula que prevê Abbas como primeiro-ministro e presidente.

 

Durante uma reunião interna presidida por Meshaal no Cairo na quarta-feira, as autoridades do Hamas se uniram em torno de novas exigências. Segundo uma autoridade palestina envolvida nas negociações, é provável que Abbas rejeite as novas condições.

"O Hamas exigiu ficar com os ministérios-chave do novo governo, incluindo o Ministério do Interior", disse a autoridade. "Ele também exigiu que não haja mudança na estrutura dos serviços de segurança da Faixa de Gaza.” O Ministério do Interior supervisiona os serviços de segurança dirigidos pelo Hamas.

Segundo o analista político palestino Samir Awad, os novos termos demonstram que o grupo "não está preparado para deixar o controle de Gaza", território do qual o Fatah foi expulso após o racha do governo de união com o Hamas, durante os confrontos de 2007.

Abbas tenta formar um governo de união com políticos independentes e tecnocratas para garantir que ele não seja boicotado pelo Ocidente, que doa fundos essenciais à Autoridade Palestina, e recusa-se a negociar com o Hamas devido à sua hostilidade com relação a Israel.

Outras demandas que surgiram da reunião no Cairo incluem a nomeação de um vice para Abbas que fique em Gaza e tornar sua indicação como primeiro-ministro condicional a um voto de confiança no Parlamento palestino.

O Legislativo palestino não tem uma sessão desde o colapso, há cinco anos, do governo de união entre Hamas e Fatah.

Reação

Israel se opõe à aliança entre o Hamas e o Fatah. No início do mês, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reagiu pedindo a Abbas que escolha entre "a paz com o Hamas ou a paz com Israel". "Disse muitas vezes no passado que a ANP deve escolher entre uma aliança com o Hamas ou a paz com Israel. O Hamas e a paz não podem andar juntos", declarou Netanyahu no início de uma reunião de seu partido, o direitista Likud.

Unidade: Palestinos protestam contra divisão de governo

Em outra ocasião, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense, Yigal Palmor, lamentou um pacto que representa "maior complacência em relação ao Hamas, o principal obstáculo no caminho da paz e do compromisso".

*Com Reuters


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