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Honduras deve decidir hoje se Zelaya volta ao poder

Honduras deve decidir hoje se Zelaya volta ao poder

Atualizado: Terça-feira, 13 Outubro de 2009 as 12

Ponto mais delicado da crise política em Honduras, a restituição do presidente deposto Manuel Zelaya deve ser debatida hoje, quando representantes do líder deposto e do governo de facto de Roberto Micheletti reunirem-se na mesa de negociação para dar continuidade ao diálogo. A "negociação de Guaymuras", como foi batizada a discussão entre os opositores hondurenhos, havia sido iniciada na sexta-feira. Se confirmada a volta ao poder, Zelaya deixaria a embaixada do Brasil, o isolamento internacional imposto a Honduras seria levantado e se abriria o caminho para as eleições presidenciais de novembro. Caso contrário, o desfecho dos 108 dias de crise em Honduras se tornará ainda mais incerto.

No último encontro, a negociadora do governo de facto Vilma Morales havia anunciado um avanço em 60% nos termos do Pacto de San José, que serve de base para as negociações. A evolução foi confirmada pelo campo zelaysta. Formulada pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, a proposta tem ao todo 12 pontos, dos quais 8 tocam temas fundamentais e 4 dizem respeito a questões procedimentais.

Os dois lados já admitem ter entrado em acordo sobre a necessidade de formar um governo temporário de união nacional e de não promover uma anistia geral. Zelaya responde por 18 acusações criminais, mas diz não temer a Justiça. A revogação da anistia também poderá abarcar crimes cometidos pelo governo de facto desde o golpe de Estado, em 28 de junho.

Ontem, Zelaya disse a jornalistas na embaixada brasileira que há uma "pressão" para que Juan Barahona, representante da Frente Nacional de Resistência (FNR), a ala mais radical de sua base de apoio, seja afastado da mesa de negociação. Momentos antes do anúncio, Barahona dissera ao Estado que não abriria mão da convocação de uma Assembleia Constituinte, prometida por Zelaya, e tampouco admitiria a realização de eleições em novembro. "Temos três princípios irrevogáveis: restituição imediata, Constituinte já e não às eleições com golpistas no poder."

Boa vontade

O enviado da Organização dos Estados Americanos (OEA) que observa as negociações, o chileno John Biehl, mostrou ontem um otimismo discreto em relação ao diálogo. Ele disse que as negociações "evoluíram muito" e garantiu que os "dois lados têm agora boa vontade" para buscar o consenso.

Caso zelaystas e representantes do governo de facto entrem em acordo hoje, o Pacto de San José terá avançado "em 90%", garantiu o ex-ministro do Interior de Zelaya, Victor Mesa, que também atua como negociador. Faltaria, então, apenas um dos oito pontos fundamentais, disse Mesa, sem revelar qual seria a pendência. "As perspectivas são muito favoráveis", disse o ex-ministro.

Zelaya, entretanto, adotou ontem um tom pessimista, especulando que Micheletti dará uma "bofetada na cara" da comunidade internacional. "Acho que o regime golpista continuará a desrespeitar a resolução da OEA e o mundo", disse o presidente na embaixada brasileira.

A Frente Nacional de Resistência voltou a fazer manifestações ontem pela manhã em um bairro pobre da periferia de Tegucigalpa. Cerca de 300 membros do grupo se reuniram sob o olhar de quase 120 policiais. Contudo, não houve violência.

O estado de sítio implementado por Micheletti fez com que os distúrbios perdessem força. Mas novas demonstrações estão programadas para hoje diante do hotel onde será realizada a nova rodada de diálogo entre os dois campos.

Postado por: Felipe Pinheiro

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