MENU

Inquérito culpa Exército britânico por morte brutal de iraquiano

Inquérito culpa Exército britânico por morte brutal de iraquiano

Atualizado: Quinta-feira, 8 Setembro de 2011 as 11:47

Um inquérito independente pedido pelo governo do Reino Unido sobre a morte de um iraquiano sob custódia do Exército britânico em 2003 concluiu que houve 'uma grave falha de disciplina' e responsabilizou soldados do país pelo 'chocante episódio de violência grave e gratuita'.

O relatório divulgado nesta quinta-feira (8) pelo jurista William Gage - que liderou a investigação independente - conclui que houve 'falha corporativa' por parte do Ministério da Defesa, que fracassou ao não supervisionar os métodos de interrogação usados por militares britânico no Iraque .

'Um incidente não deveria ter acontecido e nunca deve acontecer novamente', diz Gage, no relatório de 1,4 mil páginas.

O Ministério da Defesa disse que vai levar em consideração as conclusões do relatório para mudar as suas políticas.

Inquérito culpa Exército britânico por morte brutal de iraquiano (Foto: BBC)

  'Coral da dor'

No dia 14 de setembro de 2003, o recepcionista de hotel Baha Mousa, de 26 anos, e outros nove iraquianos foram presos no hotel Haitham, em Basra, por soldados do 1º Batalhão do Regimento de Lancashire da Rainha.

Os detentos foram submetidos a técnicas de interrogação que são proibidas pelo Exército britânico - como obrigá-los a ficar muito tempo na mesma posição, um método conhecido como 'posição de estresse'. Eles também não tiveram acesso a água e comida e foram mantidos encapuzados em ambientes quentes.

Baha Mousa, que era pai de duas crianças, morreu dois dias depois de ser preso.

A investigação independente, conduzida pelo jurista britânico William Gage, concluiu que a morte de Baha Mousa foi provocada pela combinação do seu estado físico deteriorado com a agressão sofrida por guardas e soldados.

Baha Mousa foi morto por um 'grande número' de soldados, segundo Gage. Até agora, apenas o militar Donald Payne foi condenado em corte marcial pela morte do iraquiano. Ele foi dispensado do Exército em 2007 e cumpriu pena de um ano de prisão.

A causa oficial da morte foi asfixia, mas a autópsia revelou que seu corpo tinha 93 ferimentos diferentes.

Gage afirma que o comportamento de Payne - chamado de um 'violento bully' - encorajou soldados mais jovens a repetirem as agressões aos detidos. Uma das técnicas de Payne era simular um 'coral de dor' com os detidos, usando violência para fazê-los berrar de forma sincronizada.            

veja também