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Inspetor nuclear da ONU que cuidava da questão do Irã vai deixar o cargo

Inspetor nuclear da ONU que cuidava da questão do Irã vai deixar o cargo

Atualizado: Quinta-feira, 1 Julho de 2010 as 6:14

A agência nuclear da ONU informou  nesta quinta-feira (1º) que seu principal investigador, o finlandês Olli Heinonen, chefe das ações no Irã e na Síria, vai deixar o cargo por questões pessoais, depois de quase 30 anos de trabalho na entidade com sede em Viena.

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Heinonen, 63, é chefe do departamento de salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), encarregado de verificar se os programas nucleares dos países não estão sendo desviados para uso militar.

''Confirmamos que o sr. Heinonen informou ao diretor-geral sobre sua intenção de se demitir no fim de agosto por motivos pessoais'', disse o porta-voz da AIEA, Gill Tudor.

''O diretor-geral decidiu respeitar essa decisão e expressou seu apreço pela longa contribuição de Heinonen''.

Foi Heinonen que, em fevereiro de 2008, apresentou a diplomatas um relatório sobre o Irã indicando vínculos entre projetos de enriquecimento de urânio e desenvolvimento de mísseis e explosivos, sugerindo que o país havia tentado desenvolver armas nucleares. O Irã insiste no caráter pacífico e civil das suas atividades.

''Ele tem sido infatigável na sua busca pela verdade por trás do programa nuclear do Irã. Ele é um dos inspetores mais experientes e versados da agência'', disse Mark Fitzpatrick, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, em Londres.

''É claro que ele é só uma parte de um time de muitos bons inspetores, e o trabalho na agência no Irã não vai parar.''

Heinonen, especialista na química dos materiais radiativos, entrou para a AIEA em 1983. A agência disse que seu cargo será preenchido em breve, mas que o nome do substituto não foi definido.

Diplomatas afirmam que Yukiya Amano, que assumiu em dezembro a direção da agência, já havia anunciado reservadamente que ocorreriam mudanças no primeiro escalão.

Heinonen, um técnico discreto e sisudo, dirigia o departamento de salvaguardas desde 2005, e era considerado o braço direito do antecessor de Amano, Mohamed El Baradei.

''Com a minha saída, sei que deixo para trás uma ótima equipe de colegas do departamento, que irão continuar dando forte apoio... ao sr. Amano e também ao meu sucessor'', escreveu Heinonen num email a colegas, ao qual a agência Reuters teve acesso.

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