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Irã tenta se aproximar da China

Irã tenta se aproximar da China

Atualizado: Quarta-feira, 17 Fevereiro de 2010 as 12

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, fez um alerta à China nesta terça-feira, dia 16, em coletiva de imprensa em Teerã, dizendo que tanto Pequim quanto seu país "enfrentam as mesmas ameaças".

"Estamos na mesma esfera cultural e as ameaças que enfrentamos são as mesmas. (...) Há quem se oponha que a China se torne uma potência. Mas não conseguirão. A China é um grande país e devem deixar de tentar prejudicá-lo", disse o líder iraniano na coletiva.

Hoje, a representante de Israel na ONU, Gabriela Shalev, disse que a posição da China em relação à imposição de novas sanções ao Irã é "um mistério". No entanto, segundo ela, já ficou claro que a Rússia não se opõe com tanta veemência à imposição de mais sanções.

"Sei que os russos mudaram de posição, e agora estão de acordo com a ideia de um certo limite necessário", disse Shalev a jornalistas. "No entanto, a posição da China é um mistério".

O Irã vive um impasse com as principais potências ocidentais por causa de seu controverso programa nuclear. A crise se agravou nas últimas semanas após o anúncio feito por Teerã de que já estaria produzindo urânio enriquecido a 20%. Em resposta, os EUA decidiram impor novas sanções, que serão apresentadas em março ao Conselho de Segurança da ONU.

Dos cinco membros permanentes do Conselho - EUA, Reino Unido, França, China e Rússia - apenas a China se mostra reticente em sancionar o Irã devido a interesses econômicos.

Brasil e EUA

Também na coletiva desta terça-feira, Ahmadinejad defendeu uma possível mediação do Brasil na crise nuclear envolvendo seu país e potências ocidentais, ressaltando pontos em comum entre os dois países. Para ele, da mesma forma que o Irã, o Brasil "procura mudar as coisas".

"Temos muitos amigos no mundo interessados em ajudar e colaborar e que, como nós mesmos, não estão de acordo com as tensões e buscam a paz", afirmou Ahmadinejad.

"Entre eles estão o povo e o governo do Brasil, com quem mantemos boas relações. O Brasil foi um dos países que defendeu o Irã", acrescentou.

Em relação aos EUA, Ahmadinejad disse que seu país "não leva a sério" as declarações da secretária de Estado americana Hillary Clinton. Em visita ao Oriente Médio, ela usou um tom extremamente duro contra o Irã, dizendo que o país se torna uma ditadura militar, e que as instituições civis e lideranças religiosas estão sendo substituídas pela Guarda Revolucionária.

"Não levamos a sério os seus comentários. Ela é obrigada a dizer essas coisas (...) Vemos contradições na administração americana, e não sabemos qual a sua verdadeira posição".

Após chegar à Casa Branca, Barack Obama se mostrou disposto a tentar estabelecer uma nova relação com Teerã. No entanto, assessores do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Jamení, sugeriram que mudar a relação com os EUA "não é do interesse do Irã neste momento".

Carta

A França, os Estados Unidos e a Rússia disseram estar preocupados com a escalada do programa nuclear do do Irã em uma carta assinada por seus embaixadores e entregue à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), organização ligada à ONU.

Segundo os três países, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), o enriquecimento de urânio a 20% por Teerã é injustificado --já que a proposta nuclear entregue pelas potências para a troca do material por combustível nuclear incluía garantias para o benefício do país.

A carta enviada nesta terça-feira ao diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, é uma resposta ao argumento iraniano - reforçado nesta terça-feira pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad-- de que Teerã não aceitou a proposta nuclear das potências por não considerar os termos adequados.

Os diplomatas disseram que a carta foi entregue à imprensa para refutar as declarações de uma autoridade iraniana de que as potências ofereceram um novo acordo para o Irã.

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