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Irã vai manter programa nuclear, diz presidente após relatório da ONU

Irã vai manter programa nuclear, diz presidente após relatório da ONU

Atualizado: Quarta-feira, 9 Novembro de 2011 as 12:05

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, rejeitou nesta quarta-feira (9) um relatório da agência nuclear da Organização das Nações Unidas que ressaltava preocupações de que o país tenha se empenhando em desenvolver uma bomba atômica.

Ele afirmou que o texto se baseava em informações "inválidas" dos Estados Unidos.

"Vocês deveriam saber que esta nação não irá recuar nem uma agulha do caminho que está seguindo", afirmou Ahmadinejad em discurso transmitido ao vivo pela televisão.

"Por que vocês prejudicam a dignidade da agência por causa das alegações inválidas dos Estados Unidos?", indagou, aparentemente se dirigindo aos membros da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que divulgou o relatório na terça-feira.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, discursa nesta quarta-feira (9) em Shahrekord (Foto: AP) Embaixador

O Irã jamais abandonará seu programa nuclear, mas continuará cooperando com AIEA, apesar do relatório disse nesta quarta-feira o embaixador iraniano ante a agência da ONU.

"O Irã jamais abandonará seus direitos legítimos em termos nucleares, mas, como país responsável, continuará respeitando suas obrigações dentro do Tratado de Não-proliferação Nuclear", que prevê a supervisão de suas atividades pela AIEA, declarou Ali Asghar Soltaniyeh, citado pela agência oficial iraniano Irna.

Na véspera, o Irã já havia estimado que o relatório da AIEA, que revela informações sobre a tentativa de Teerã de obter a bomba nuclear, "não tem fundamentos".

Estas informações, contidas no anexo do relatório da AIEA, "não têm nada de novo", disse Soltanyeh.

"Voltamos às velhas alegações, as quais o Irã já provou que não têm fundamentos em uma resposta precisa de 117 páginas" enviada há quatro anos à AIEA.

"O Irã já provou que as alegações dos Estados Unidos não têm fundamento e que nos últimos oito anos não emergiu qualquer prova do uso militar de material nuclear".

Mesmo antes da divulgação do relatório, o chefe da diplomacia iraniana, Ali Akbar Salehi, havia negado todas as acusações, afirmando que os ocidentais continuam sem "nenhuma prova séria".

"O Ocidente e os Estados Unidos exercem uma pressão sobre o Irã sem argumentos sérios nem provas", disse Salehi. "Sempre repetimos que não queremos fabricar armas nucleares. Nossa posição sempre foi de utilizar o programa nuclear para fins pacíficos". Ameaças

A perspectiva do anúncio do relatório gerou nos últimos dias uma série de ameaças de ataques israelenses ao Irã.

Nesta quarta-feiras, o chefe de Estado-Maior adjunto das Forças Armadas iranianas, o general Masud Jazayeri, ameaçou destruir Israel se o país atacar as instalações nucleares do Irã.

"O centro (nuclear israelense) de Dimona é o local mais acessível para o qual podemos apontar e temos capacidades ainda mais importantes. Ante a maior ação de Israel, veremos sua destruição", advertiu o general Jazayeri, citado pela televisão iraniana em idioma árabe Al Alam.

O presidente israelense Shimon Peres havia advertido no domingo que a possibilidade de um ataque militar contra o Irã é maior que a de uma ação diplomática.

"A possibilidade de um ataque militar contra o Irã parece mais próxima que a opção diplomática", afirmou o presidente em declarações ao jornal "Israel Hayom".

"Não acredito que já tenha sido tomada uma decisão a respeito, mas dá a impressão de que os iranianos vão se aproximando da bomba atômica", acrescentou. "Não temos que revelar nossas intenções ao inimigo", explicou.

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