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Irmã de alpinista vai à Argentina acompanhar trabalho de resgate

Irmã de alpinista vai à Argentina acompanhar trabalho de resgate

Atualizado: Sexta-feira, 7 Janeiro de 2011 as 8:32

Uma das irmãs do alpinista Bernardo Collares Arantes, que sofreu um grave acidente em uma montanha na Patagônia, embarca na noite desta quinta-feira (6) para a Argentina para acompanhar os trabalhos de resgate. "A Érica está indo hoje à noite para Buenos Aires. E, como só há um voo diário para El Chaltén, só poderá embarcar para lá amanhã de manhã", informou ao G1, Kátia Arantes, outra irmã do alpinista, acrescentando que Érica vai acompanhada de um amigo de Bernardo, também montanhista.

Bernardo Collares é presidente da Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro (Femerj) e vice-presidente da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME). Ele fraturou a bacia quando escalava com a amiga e também alpinista Kika Bradford durante expedição ao Monte Fitz Roy, na cidade de El Chaltén, na Patagônia argentina.

Os dois alpinistas conseguiram chegar ao topo da montanha. O acidente com Bernardo aconteceu durante a descida da escalada. Kika, então, continuou descendo sozinha para buscar socorro. Entretanto, o trajeto do cume do Fitz Roy até a cidade de El Chaltén não leva menos de dois dias.

É tudo muito sofrido. A gente sempre esteve preparado para isso, mas ele sempre tomou o máximo de cuidado no esporte"

Kátia Arantes,  irmã do alpinista carioca

"A família quer o resgate de qualquer forma", disse Kátia. "É tudo muito sofrido. A gente sempre esteve preparado para isso, mas ele sempre tomou o máximo de cuidado no esporte. Até ontem (dia 5) tinha esperança, mas agora já estou meio sem", desabafou a irmã de Bernardo.

Segundo Kátia, a família tem recebido informações do alpinista André Ilha, diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e amigo de Bernardo Collares, e sabe que o resgate é muito difícil. "A possibilidade de resgate é só por helicóptero, por ar. Temos que esperar o tempo melhorar", disse Kátia.

"O único modo seria de helicóptero. Mas tanto a Argentina quanto o Chile não contam com equipamentos ou pilotos com experiência nesse tipo de resgate. E mesmo se tivessem não poderiam ser acionados neste momento; a tormenta está muito forte", explicou Leandro Collares Arantes, irmão do alpinista carioca.

De acordo com a família, a viagem está sendo feita por conta própria, mas eles já conversaram com o Itamaraty. Segundo Kátia, no entanto, até o momento, o governo argentino não se pronunciou. "A nossa esperança é alguém do Brasil ajudar".  

Segundo Leandro, alpinistas com muita experiência consideram "quase inviável" que Bernardo seja resgatado pelos próprios alpinistas que aguardam a melhora do tempo para tentar escalar o Fitz Roy. "Mas o que dificulta também pode ser um facilitador (para o resgate por helicóptero), já que ele está muito próximo ao cume".

Poucas chances de resgate com vida

Em entrevista à Globonews, o alpinista André Ilha disse que são mínimas as chances de Bernardo Collares ser resgatado com vida. "Todos que conhecem o clima da Patagônia e entendem a gravidade das lesões sabem que as chances de ele estar vivo hoje é praticamente nula. Hoje se especula quanto a possibilidade de haver o resgate do corpo”, contou Ilha, acrescentando que, segundo as informações dadas por Kika, pelo local em que Bernardo foi deixado, embora difícil, isso seja “possível”.

Ilha contou ainda que conseguiu falar nesta quinta-feira com Kika Bradford, e que, apesar de estar muito abalada, ela fez um relato detalhado do que aconteceu durante a descida. Segundo Ilha, Kika começou a descer na tarde de segunda-feira (3).

"Logo depois de estabilizar o Bernardo num pequeno platô e ambos concluírem que a única chance que ele teria de sobrevivência seria ela descer rapidamente e obter um resgate por via aérea”, contou Ilha, informando que a alpinista chegou na base da montanha, às 15h de terça-feira (4). “Poucos escaladores teriam condições de descer sozinhos na condição como ela desceu. Ela passou uma noite, sozinha, debaixo de uma tempestade de neve, sem saco de dormir”.

Ainda segundo Ilha, os dois alpinistas faziam uma escalada de 1.800 metros de extensão, quando próximo ao cume, o tempo virou, começou a nevar e prudentemente eles decidiram voltar. " O problema é que no primeiro rapel, ou seja, na primeira descida de corda, aconteceu o acidente . O vento patagônico é lendário. Ele facilmente consegue arrancar alguém da parede - e isso não é uma figura de linguagem - quando há rajadas mais fortes”, afirmou Ilha, acrescentando que, após parte do equipamento se soltar, Bernardo caiu de uma altura de cerca de 20 metros.

De acordo com o relato de Kika a Ilha, Bernardo chegou a ficar inconsciente, mas depois acordou, com dores fortíssimas. “Ela conseguiu descer Bernardo até um platô, deu um pouco de água e comida”, ainda segundo Ilha, até reiniciar a descida em busca de socorro.

Por Mylène Neno

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