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Irmandade Muçulmana diz ter iniciado diálogo com autoridades no Egito

Irmandade Muçulmana diz ter iniciado diálogo com autoridades no Egito

Atualizado: Domingo, 6 Fevereiro de 2011 as 9:17

A Irmandade Muçulmana, um dos principais grupos da oposição no Egito, afirmou em um comunicado na madrugada deste domingo (6) que "iniciou um diálogo" com as autoridades do Egito para ver "até que ponto elas estão dispostas a aceitar as exigências da população".

Um responsável do movimento afirmou à France Presse sem se identificar que "foi realizada uma reunião no sábado (5) de manhã entre os responsáveis da Irmandade Muçulmana e o vice-presidente Omar Suleiman".

"Desejando preservar os interesses da nação e de suas instituições e ansiosos para preservar a independência do país e sua rejeição de qualquer interferência internacional ou regional em nossos assuntos internos, iniciamos um diálogo para ver se eles estão dispostos a aceitar as exigências da população", afirma o comunicado.

Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, convocou líderes da Alemanha, Reino Unido e dos Emirados Árabes Unidos para discutir a situação no Egito e a necessidade de mudanças políticas na região, segundo comunicado emitido noe sábado pela Casa Branca.

"O presidente enfatizou a importância de uma transição ordenada e pacífica, começando agora, para um governo que responda às aspirações do povo egípcio, incluindo negociações com credibilidade e com a participação do governo atual e da oposição", disse o comunicado.

Segundo a Casa Branca, Obama expressou "séria preocupação com os ataques a jornalistas e a grupos de direitos humanos, e reafirmou que o governo do Egito tem a obrigação de proteger os direitos de seu povo e de libertar imediatamente todos os que foram detidos injustamente" durante os protestos nos últimos dias.

No comunicado emitido pelo governo americano, Obama não comentou as declarações de seu enviado especial ao Egito, Frank Wisner, que disse que o presidente egípcio Hosni Mubarak deve ficar no poder por enquanto para conduzir as mudanças necessárias a uma transição política.

"Necessitamos chegar a um consenso nacional em torno das condições prévias para dar um próximo passo à frente. O presidente deve permanecer em seu cargo para liderar essas mudanças", disse Frank Wisner, de Washington, durante teleconferência com os participantes de um evento de segurança mundial em Munique, na Alemanha.

Neste sábado, a liderança do Partido Nacional Democrático, do governo do Egito renunciou em massa, atitude saudada pelos EUA como "um passo positivo. Gamal Mubarak, filho do contestado presidente Mubarak e seu herdeiro político, está entre os que saíram, no que parece ser mais uma tentativa de conciliação do governo com o crescente movimento oposicionista.

Outra TV, a Al Arabiya, chegouy a informar que o presidente Hosni Mubarak também havia deixado o comando do partido, informação que não chegou a ser confirmada oficialmente e depois acabou corrigida pelo próprio canal.

Hossam Badrawi, considerado da ala liberal do partido e que estava "escanteado" por conta de suas críticas ao governo nos últimos anos, assume como novo secretário-geral do comitê central.

Ele, que tem boa relação com os oposicionistas, entra no lugar de Safwat el-Sharif, considerado um político bastante impopular e próximo a Mubarak.

Mais cedo, o premiê egípcio, Ahmed Shafiq, disse que o governo já começou a negociar com alguns grupos de oposição e está tentando atrair outros para obter uma transição negociada do poder no país em crise.

Impasse

Depois de 12 dias de crise política, o país enfrenta um impasse.

Pressionado por protestos de rua e por líderes internacionais, Barack Obama à frente, o presidente Mubarak, de 82 anos e há 30 no poder, recusa-se a sair imediatamente, argumentando que o Egito enfrentaria o "caos".

Já os manifestantes temem deixar as ruas, por acreditar que a falta de pressão iria dar margem a que Mubarak tomasse apenas medidas "cosméticas" para tentar se manter no poder.

Eles continuavam a vigília na Praça Tahrir, a principal da capital, mas com menos pessoas do que nos dias anteriores. Ao mesmo tempo, longas filas se formavam nos bancos, que reabriram depois de uma semana fechados.

O Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos calculou que pelo menos 300 pessoas morreram e 4.000 ficaram feridas nos confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

O governo tenta trazer o país, cuja economia foi bastante afetada pelos protestos, de volta à normalidade.

Mubarak reuniu seus principais ministros da área econômica neste sábado. A reunião incluiu o primeiro-ministro e os ministros de Finanças, Petróleo, e Comércio e Indústria. O presidente do Banco Central do Egito também participou.

Em Munique, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, apelou a todos os países da região que façam "reformas democráticas verdadeiras".

Incidentes

Ao mesmo tempo, uma explosão atingiu o importante gasoduto que abastece Israel e Jordânia, na província do Sinal. Os motivos e as consequências do acidente ainda não estavam claros, mas a TV estatal falou em sabotagem.

E a TV americana Fox News informou que o vice-presidente Suleiman escapou de um atentado.

Uma igreja de Rafah, no Sinai, fronteira com a Faixa de Gaza, incendiou-se neste sábado, segundo a France Presse. As causas do incêndio ainda eram desconhecidas, mas testemunhas disseram ter visto homens armados e ouvido uma explosão.

Grupos islâmicos pediram, nos últimos dias, a seus militantes que aproveitassem a crise egípcia para realizar atentados na região, segundo grupos de monitoramento.

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