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Israel libera a palestinos acesso a estrada que era vetado desde 2002

Israel libera a palestinos acesso a estrada que era vetado desde 2002

Atualizado: Sexta-feira, 28 Maio de 2010 as 4:51

Israel abriu nesta sexta-feira (28) ao trânsito palestino pela primeira vez desde 2002 a rodovia 443, que liga Jerusalém a Tel Aviv e atravessa 20 km do território ocupado da Cisjordânia.

Em dezembro do ano passado, a Corte Suprema de Israel deu vários meses ao Exército para que abrisse aos palestinos a rota que tinha sido fechada desde 2002 por causa de diversos ataques contra automóveis de israelenses ao início da Segunda Intifada.

O Supremo considerava desproporcional esta interdição, que tinha levado organizações de direitos humanos a acusar ao Exército do país de haver transformado a 443 em uma ''estrada do 'apartheid''' em território palestino.

Cerca de 40 mil veículos usam a via por dia, que desde sua construção nos anos 80 se tornou uma alternativa aos engarrafamentos da estrada 1 para ir de Jerusalém a Tel Aviv.

O Exército israelense impedia o acesso dos palestinos o acesso à rodovia tanto a pé como em veículos, por meio de grandes blocos de cimento, montes de areia ou lixo e outros tipo de obstáculos nas entradas dos povoados.

Desde esta manhã os palestinos podem usar a via, mas não para chegar diretamente a Ramala, pois o Exército israelense colocou uma nova barreira no acesso à cidade, capital administrativa da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Além disso, os palestinos só terão duas rampas de acesso e quatro pontos de saída. O objetivo destas limitações é, segundo fontes militares israelenses, ''oferecer proteção a todos os que viajam pela via e minimizar as ameaças existentes''.

Críticas

A Associação para os Direitos Civis de Israel (ACRI), que batalhou pela abertura da estrada, critica a nova fórmula por considerá-la uma forma ''evidente'' de burlar a sentença do Supremo.

''Em vez de desfazer a grave injustiça cometida na última década, o Exército segue aproveitando cada lacuna das leis para manter a situação'', lamenta em comunicado.

Segundo a ONG, ''a nova configuração cria a falsa impressão de novas regulamentações, autêntica liberdade de movimento e respeito ao Estado de direito, mas na realidade não há mudança alguma, e a situação dos palestinos apenas piorará''.

A ACRI lembra ainda que os palestinos não têm acesso a 68 quilômetros de estradas na Cisjordânia e são seriamente prejudicados na tentativa de utilizar 164 quilômetros.

Quanto aos usuários, tanto palestinos como israelenses, as reações são, no geral, negativas. Entre os israelenses há os que asseguram que deixarão de usar a 443 por medo de ataques palestinos.

Quanto aos palestinos, muitos se mostram pouco otimistas, como Mohammed Suleiman, de Beit Ur el Foqa, uma aldeia próxima à rota, que considera que a nova ordenação não é ''nem prática nem cômoda'' porque impõe ''três controles e muitas voltas em troca de muito pouco''.

Naji Suleiman, responsável pelo conselho municipal de Beit Ur Etahta, acredita que ''as pessoas detestam atravessar barreiras militares, e não usarão a estrada para evitar atritos com os soldados''.

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