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Japão estuda queimar carne bovina contaminada por radiação de usina

Japão estuda queimar carne bovina contaminada por radiação de usina

Atualizado: Terça-feira, 26 Julho de 2011 as 9:36

O Japão anunciou nesta terça-feira (26) um plano para comprar e queimar toda a carne bovina contaminada pela radioatividade da central nuclear de Fukushima, a fim de conquistar a confiança dos consumidores.

Cerca de três mil cabeças de gado suspeitas de terem sido alimentadas com feno e palha de arroz radioativos foram vendidas no país desde a crise gerada pelos terremoto e tsunami gigantes de 11 de março.

O ministro da Agricultura, Michihiko Kano, declarou que a Tokyo Electric Power (Tepco), empresa responsável pela central nuclear acidentada, terá de pagar o prejuízo, que de acordo com a imprensa local pode chegar a dois bilhões de ienes (17 milhões de euros).

Visão geral da usina de Fukushima Daiichi nesta segunda-feira (25), em vídeo divulgada pela Tepco (Foto: AP)

  A estratégia elaborada pelo poder público prevê a compra pelos grandes empresários do setor de toda a carne de pequenos e médios produtores que tenha uma taxa de césio superior ao limite de 500 becquereles (unidade de medida para radioatividade) por quilo, limite fixado pelo governo.

O pânico se instalou nos consumidores japoneses desde o princípio do mês, quando foram encontrados altos níveis de césio radioativo na carne de vaca proveniente de uma fazenda em Minamisoma, cidade localizada no limite da zona de exclusão de 20 km de raio ao redor da central atômica.

Desde então, a notícia se espalhou por outras províncias, onde os produtores vendiam a carne sem saber se ela estava contaminada.

O governo japonês proibiu na última semana a venda da carne e gado provenientes de toda a prefeitura de Fukushima.

Mais energia nuclear

A produção de origem nuclear seguirá crescendo em todo mundo, apesar do acidente de Fukushima, afirmou nesta terça em Tóquio Yukiya Amano, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

"É certo que o número de reatores irá aumentar, embora o ritmo não seja mais tão acelerado quanto antes", disse Amano.

O diretor-geral da AIEA, um ex-diplomata, deu a declaração ao sair de uma reunião com o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, que defende o contrário: o fim progressivo das centrais nucleares no país, onde o risco de novos terremotos é muito grande.

"Alguns países, entre eles a Alemanha, revisaram sua política de energia nuclear, mas muitos outros necessitam reatores nucleares, sobretudo para lutar contra as emissões de gases do efeito estufa e o aquecimento global", afirmou Amano. "O mais importante de tudo é garantir a segurança das instalações", encerrou.      

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