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Jobs criticou Obama em encontro, mas propôs criar campanha de 2012

Jobs criticou Obama em encontro, mas propôs criar campanha de 2012

Atualizado: Sexta-feira, 21 Outubro de 2011 as 2:18

A biografia "Steve Jobs", de Walter Isaacson

(Foto: Divulgação) "Você está caminhando para ter apenas um mandato". Essa teria sido a primeira frase dita por Steve Jobs em encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em 2010, segundo a biografia oficial do confudador da Apple, que chega às livrarias - inclusive no Brasil - na segunda-feira (24).

Apesar de criticar Obama,  e afirmar que não ficou "impressionado" ao conhecê-lo, Jobs se ofereceu para ajudar na criação de peças publicitárias para a campanha de reeleição do presidente democrata, em 2012.

O encontro entre Jobs e Obama quase não aconteceu. Convidado por assessores do presidente, Jobs insistiu que só iria se recebesse uma ligação do próprio presidente. Após pressão de sua mulher, Jobs concordou. Mas sua personalidade se transformou no momento do encontro, segundo o biógrafo Walter Isaacson. Jobs parecia ter mudado de lado, deixado de ser um liberal para se transformar em um conservador.

Jobs atacou Obama durante toda a conversa, conta Isaacson. Ele reclamou da dificuldade das empresas americanas de competirem com as chinesas por conta de burocracias impostas pelo governo, além de criticar o sistema educacional americano, que seria prejudicado "por regras sindicais".   "Enquanto os sindicatos dos professores não forem desmantelados, não existe esperança para uma reforma educacional", afirmou Jobs, que sugeriu que os diretores das escolas tivessem autonomia para demitir e contratar professores. Para ele, os alunos deveriam ter aula em período integral, até as 18h, e por 11 meses no ano.

Depois, Jobs sugeriu que Obama se encontrasse com outros "seis ou sete" CEOs de companhias de tecnologia, para entender a necessidade das empresas americanas de setores de inovação. Quando a Casa Branca assumiu a organização do evento e decidiu chamar mais pessoas, Jobs reclamou e disse que não iria mais ao encontro.

Obama, em jantar com Jobs e outros empresários

do setor (Foto: Divulgação/Casa Branca) Até mesmo o cardápio desse encontro foi criticado por Jobs, que reclamou de um prato de camarão, que ele considerava "chique demais", e da sobremesa, uma torta de chocolate trufado. Obama, fã da guloseima, ganhou essa disputa.

Segundo Isaacson, Jobs e Obama conversaram diversas vezes por telefone, apesar do criador da Apple se irritar diversas vezes com a insistência do presidente em reclamar do jogo político entre Democratas e Republicanos que o impedia de colocar seus planos em ação.

Cirurgia

Jobs só aceitou fazer uma cirurgia que poderia salvar sua vida quando era tarde demais,  contou Isaacson, em uma entrevista ao programa “60 Minutes”, da rede norte-americana CBS.

Segundo Isaacson, Jobs tinha um tipo raro, porém curável, de câncer pancreático e precisava fazer uma cirurgia. “Eles ficaram felizes quando viram a biópsia. Era um tipo pancreático de câncer que cresce devagar e pode ser curado”, disse, na entrevista.

Mas Jobs não quis fazer a operação imediatamente. “Ele tentou tratar o câncer com uma mudança de dieta, ele foi a espiritualistas”, diz Isaacson. “Ele me disse que não queria que seu corpo fosse aberto, não queria ser violado daquela maneira.”

Ainda de acordo com Isaacson, aos poucos, todos ao redor dele lhe disseram que ele deveria fazer a cirurgia. “Ele fez a cirurgia nove meses depois e, quando operaram, viram que o câncer já havia se espalhado pelos tecidos ao redor do pâncreas.”

“Como pode um homem tão inteligente fazer algo assim?”, questiona o jornalista da CBS. “Eu acho que ele sentiu que, se ignorasse aquilo, ia conseguir fazer aquilo desaparecer de algum jeito.”        

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